Pior é concordar com um editorial da folha… 

Kassab depois de ler meu comentário apontou, riu e disse ‘ó lá, tá concordando com a folha’


FERNANDO DE BARROS E SILVA

Partido comercial

SÃO PAULO – O PSD de Gilberto Kassab e Guilherme Afif Domingos nasce “social” por conveniência. Até o oitavo mês de gestação, a criança atendia por PDB (Partido Democrático Brasileiro). Antes de nascer, já era chamada de “Partido da Boquinha”. Temos, pois, mais uma agremiação “social” no país.
O PSD nasce também a favor do vento, qualquer um. Kassab diz estar “ao lado daqueles que torcem para o sucesso de Dilma” e diz, ao mesmo tempo, que mantém “relações inquebráveis” com José Serra.
Macunaíma, o “herói da nossa gente”, nasceu “preto retinto e filho do medo da noite”. O PSD, do macunaímico prefeito paulistano, nasce filho do pragmatismo maroto. O novo partido mais parece o samba do branquinho doido.
Mas haveria alguma substância, algum lastro social no PSD, para além das aparências e das intenções retóricas? O jornal “Valor Econômico” publicou reportagem ontem mostrando que as principais lideranças do partido são figuras historicamente ligadas a associações comerciais, que fizeram a campanha presidencial de Afif em 1989, pelo antigo PL. Temos, enfim, um partido de comerciantes, nos sentidos literal e figurado do termo.
Indo adiante na genealogia: Afif iniciou sua carreira política como secretário do então governador Paulo Maluf, em 1980. Foi candidato a vice de Reinaldo de Barros pelo PDS, em 1982. Kassab começou como afilhado de Afif, elegendo-se vereador pelo PL, em 1992. Já no PFL, ambos foram secretários do prefeito Celso Pitta (1997-2000), morto em 2009. Em 1998, Afif foi um dos coordenadores da campanha de Maluf contra Mário Covas.
Com o declínio do malufismo, os “liberais” passaram a girar na órbita do tucanato (assim como o PP de Maluf é hoje um satélite menor do petismo). Serra levou Kassab aonde ele jamais imaginaria chegar. Mas Serra está na lona. Kassab & Afif, os comerciantes, já perceberam que a tendência do mercado agora pede algo assim -mais para o “social”.

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É curioso o bastante para falar sobre qualquer assunto e inteligente o bastante para saber que quase sempre estará errado.