Continuando a série retrospectiva sobre a Petrobras e o Brasil {{cuja parte 1 – História, você confere aqui}}, neste post falamos sobre o que foi Pasadena, quais as reais polêmicas na compra da refinaria da Astra Oil pela Petrobras e quais são as invencionices usuais da ImprenÇa.

Pasadena e Petrobras

{{Crédito da foto: A guy with A camera}}

Já vimos, na parte 1, que a Petrobras passou por uma fase de reinvestimento durante os governos Lula. A pressão popular – dizem os tucanos – impediu que fosse levado a frente o projeto de mudança de nome {{ainda que o FMI tenha recebido um projeto de privatização das mãos de FHC – confira a parte 1}}.

Com a valorização da Petrobras e seu ganho de investimento, a empresa pôde investir mais em pesquisa e exploração. A influência do governo Lula em não querer privatizar a Petrobras e de a valorizar foi fundamental. Tanto que a diretoria que ele empossa toma a decisão de investir em energia no País, conforme noticiou o Estadão à época:

estado{{não acredite em mim – Estadão}}

Até que no final de 2006 {{depois, portanto, de Pasadena}} é descoberto o Pré-Sal. A conclusão de que ele seria de qualidade veio, em realidade em 2007, tanto que alguns órgãos da oposição de imprenÇa, citam a descoberta como sendo em 2007:

o_globo{{não acredite em mim – O Globo}}

Tá legal, Caipira safado, mas vamos ao ponto, pombas! Que diabos isso tem a ver com Pasadena?!

Calma, infante, vamos com calma. O fato é que Pasadena foi comprada antes do pré-sal existir como realidade, e isso será importante adiante. Antes vamos aos fatos, para entender o que é denúncia e o que é fantasia…

De 1º de janeiro de 2005 a 1º de janeiro de 2007 o preço do barril de óleo {{preço utilizado para definir o valor de uma refinaria, lembre-se disso quando você for comprar a sua, no fim do ano!}} fechava numa média de 61.96 doletas o barril. Foi nesta época que a compra de Pasadena se deu.

Já no período de 1º de janeiro de 2007 a 1º de janeiro de 2009, o petróleo fechou ao custo de 84.96 doletas. {{não acredite em mim – Site coxinha confiável – Investing.com}}.

E o quico ?

O Quico, prezada leitora, impaciente leitor, casou com a Quica e teve mil quiquinhos é justamente a importância do petróleo frente aos derivados. Calma, não é tão complexo, eu explico:

Resumidamente {{e muito simplificadamente, mas o suficiente para que se entenda a questão}} há dois “tipos de petróleo”: o pesado e o leve. O pesado é basicamente aquela bagaça preta que você vê em filme americano. Ele serve somente para óleo combustível. Já o óleo leve, serve para que se produzam os derivados: gasolina, gás, nafta, etc.

Daí que com a alta do barril de petróleo e a baixa do preço dos derivados, o que ocorre? Pois, sim, todo mundo querendo mais derivado e menos petróleo bruto. Daí… a margem de lucro do refino de óleo pesado cai… e a refinaria passa a valer menos.

Para se ter uma ideia do preço pago pela Petrobras, por 50% da refinaria de Pasadena, a estatal fez um desenho:

petro{{não acredite em mim – Apresentação Petrobras}}

Para brincar:

Ok, seu Caipira, mas não me venha com churumelas! Se a Petrobras pagou um preço justo porque a Astra pagou tão pouco?!

Em primeiro lugar é preciso esclarecer quanto a Astra Oil pagou por Pasadena. Ao contrário do que você ouviu/leu na imprenÇa, o custo não foi de 42,5 milhões de Obamas como disse a Globo {{Ah, vá?!}}.

O custo da refinaria foi: 42 milhões {{valor dela}} + 84 milhões {{valor do investimento necessário para fazer a empresa funcionar, referentes a licenças ambientais}} + 200 milhões {{dívidas existentes}}.

Se a Astra Oil fosse um grande ferro velho, daí seria possível dizer que ela pagou 242 milhões de Bushs pela refinaria. Afinal, bastaria desmontar tudo e vender as peças e… pagar as dívidas.

Como a Astra Oil tem por natureza, extrair Oil {{doravante petróleo}}, então não se pode tirar os 82 milhões da conta. As informações foram passadas por Gabrieli, ex-presidente da Petrobras {{não acredite em mim}}.

Já Graça Foster e Cerveró, ambos disseram que o custo foi no mínimo 360 milhões de dólares.

{{Crédito da foto: Imapix}}

E quanto a Petrobras pagou ? Para responder essa pergunta também é preciso desmontar o total pago e entender de onde vem o valor…

O valor total, dito tanto por Cerveró, quanto por Foster, é de cerca de 1,2 Bilhão. Mas se desmontamos este valor, a coisa deixa de ser tão absurda quanto parece, senão vejamos…

Foram 2 compras em 2 momentos diferentes, isto parece claro a todos. A primeira, em 2006. E a segunda, através de acordo extrajudicial, em junho de 2012.

Na primeira, em 2006, a compra se deu por 50% da refinaria. À época foi pago {{não acredite em mim – Gabrielli ao congresso}}:

  • U$ 190 milhões pela refinaria
  • U$ 170 milhões pela reserva de estoque da refinaria

Sacou a jogada? A oposição ignora a diferença entre uma coisa e outra e joga o número total. Ora, se a Astra pagou  U$ 42 + 84 + 200 milhões de Mickeys com ela sem produzir absolutamente nada, é natural que o valor da empresa suba, especialmente no que se refere a sua reserva. Ela passou a produzir, você está comprando uma empresa mais o estoque dela.

E porque um acordo extrajudicial ?

Aí é que entra a jogada. Durante a produção deste texto surgiu outra denúncia, a de que a Astra teria tentado comprar de volta a empresa e a Petrobras não quis revender. É bastante óbvio que não é uma denúncia se você entender a questão…

A Astra quando vendeu 50% do patrimônio de Pasadena perdeu o poder de decisão. A Petrobras junto com os 50% também ficou como a mandachuva {{atenção, mandachuva não é um termo técnico, é apenas uma simplificação jurídica. Sim,  eu juro}} da bagaça {{bagaça, suponho, também não é o termo mais técnico do mundo…}}toda.  Ou seja, ela ficou com o poder de decidir quando e quanto e em quê investir.

Daí começaram as brigas.

A Petrobras que é uma gigante do setor, resolveu investir pesado em Pasadena. Porque, como vimos, em 2006 isso era lucrativo. Foi lucrativo até meados de 2008 {{antes da crise}}. A Astra não tinha interesse em investir pesado ali. Só que com a Petrobras investindo a sócia ficaria obrigada a investir, vejam vocês. valor igual.

Daí os sócios brigam. Daí a Astra diz à Petrobras: “Hey, amiguinhos, vamos parar de fight {{ou a palavra correspondente a isso em flamenco ou em alemão, já que a empresa é belga}} ? Eu compro a sua metade de volta!!” Daí a Petrobras que tá olhando para Pasadena como fonte de lucro futuro e pensando em investir pesado faz o quê ? Diz, “É, boa ideia!”. Claro que não, né?!

Por isso a ‘nova denúncia’ não passa de abobrinha. Mas ainda resta a dúvida: Porque pagou tanto por 50% em 2012 ?! E voltamos a dissecar o contrato:

  • U$ 260 milhões pela refinaria
  • U$ 170 milhões pelo estoque
  • U$ 150 milhões de garantias bancárias {{isto não é um pagamento, é um dinheiro que você reserva ao banco para garantir para ele que você terá condições de arcar com a operação da coisa. É como investir e depois pegar de volta. Só que é obrigatório pelo banco. – não acredite em mim}}

Ou seja, nada. Absolutamente nada de anormal nos valores pagos pela refinaria. Até a diferença entre os valores ditos por Gabrielli e Foster, por exemplo, são simples. Foster disse que custou 1,2 Bilhões enquanto Gabrielli disse 940 milhões. A diferença se explica pelo juros pago por conta de 4 anos de litígio mais o valor pago aos advogados pelo mesmo litígio.

Peraí, seu Caipira, VOCÊ TÁ ME DIZENDO QUE FOI TUDO NORMALZINHO? NÃO TEVE NADA ERRADO?!?!

Não, leitora rapidinha, leitor bobinho {{e demais seres humanos}}. Estou dizendo que no valor da compra não teve nada de irregular. A grande questão, o problema que não foi explicado chama-se CLÁUSULA MARLIN.

Mas esta eu explico na Parte 3.

 

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É curioso o bastante para falar sobre qualquer assunto e inteligente o bastante para saber que quase sempre estará errado.