A imprenÇa corporativa não te contará o caso todo. Mas o escândalo do momento é o Swissleaks, vazamento de informações do banco suíço HSBC, que tem descortinado evasões fiscais ao redor do planeta.

A coisa toda começou quando, em 2007, um cidadão {{que não é o Kane}} de nome Hervé Falciani, resolveu {{sabe deus porque razõe$ }} roubar algumas informações bancárias e levá-las até a França. Por lá, depois de pedir proteção {{porque de bobo só o Caipira que vos escreve}}, entregou os dados à polícia local que desatou a investigar a bagaça toda.

Como dinheiro pouco é bobagem, mais de 100 mil nomes estão na lista de evasões fiscais. Ou, pra não sofrer com a consciência, de possíveis evasões fiscais {{Imagine quantas creches não dava para construir, hein Sherazade?}}.

{{Crédito da imagem: Google – Livre Tradução do francês: “HSBC: fodeu a biela”}}

O vídeo abaixo, da CBS, é o começo da bagaça toda:

Tem um resumão do cursinho, em português de portugal aqui também:

Basicamente o que dizem os vídeos é que, mais de 100 mil nomes foram vazados, entre eles um contrabandista condenado na Bélgica, por venda de Diamantes de Sangue {{pois sim, é o nome do filme, mas é real também}}, um milionáriozinho ali nos EUA que não quis pagar impostos enfim, só gente pobre lutando pela sobrevivência.

Pois eis que o Brasil, no meio da brincadeira chamada Globalização {{eu gosto de termos retrô}}, entrou na dança. E entrou bonito:

{{não acredite em mim – ICIJ }}

Ok. Até aqui temos a denúncia de um banco suíço que oferecia / oferece o serviço de ocultação de informações em prol dos clientes ricos. Ajudando, portanto, a criminosos manterem o patrimônio conquistado longe da justiça e do fisco de centenas de países.

Temos o Brasil como o 9º país em montante financeiro envolvido e o 4º país em montante de nomes suspeitos.  E aí é que chega o real problema.

A ICIJ {{The International Consortium of Investigative Journalists}} resolveu entregar para alguns jornalistas que ela mesma selecionou, depois que o Le Monde, pediu sua ajuda. No Brasil ela escolheu a folha / UOL. Por quê? Vamos ficar sem essa resposta.

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. fazia parte da mesma organização e não recebeu a lista dos nomes. Mas voltamos a ele mais tarde.

O que a folha/ UOL escolheu fazer com as informações que recebeu?

A imensa maioria dos nomes contidos na listagem brasileira do HSBC da Suíça é desconhecida do grande público. Há uma minoria de pessoas conhecidas. Empresários, banqueiros, artistas, esportistas, intelectuais.

Quais nomes e contas bancárias serão divulgados? Em primeiro lugar, os que tiverem interesse público, e, portanto, jornalístico. Em segundo lugar, todos sobre os quais se puder provar que existe uma infração relacionada ao dinheiro depositado no HSBC na Suíça.

{{não acredite em mim – UOL}}

EPA! Mas quem é que decide o que é de interesse público ?

A UOL, para quem não sabe, é uma empresa da folha de São Paulo. Que outrora chamava Folha da Manhã. E tem um histórico. Vamos lembrar um pouquinho desse histórico ?

O livro “Getúlio (1882-1930) – Dos Anos de Formação à Conquista do Poder”, traz a seguinte informação, sobre a disputa presidencial de 1930, quando Getúlio era o candidato da oposição e Júlio Prestes o candidato governista:

pelos cálculos do jornal O Estado de S. Paulo, totalizou 120 mil paulistanos — muito embora a Folha da Manhã falasse na presença de apenas “quatro gatos pingados” no local, o que podia ser facilmente desmentido pelas fotos publicadas no jornal concorrente.

{{não acredite em mim – Citação, Amazon}}

Veja bem, estamos em 1930. Mas passamos alguns anos mais adiante, chegando na ditadura, o que fez a folha de São Paulo ?

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) legitima a versão de que o Grupo Folha, dono do jornal Folha de S.Paulo, ofereceu apoio financeiro e ideológico ao golpe de 1964, além de suporte material com o fornecimento de veículos para a Operação Bandeirante (Oban), centro de investigações do Exército que combatia as organizações de esquerda.

{{não acredite em mim – Portal Imprensa}}

Já em 2009, o que diz a folha, em editorial ?

{{não acredite em mim – folha de São Paulo}}

 

Alguém em sã consciência pode confiar nessa empresa ? Na capacidade ética e moral de uma empresa com essa conduta de julgar de forma isenta aquilo que é interesse público ?

Na prática, o que está ocorrendo é um vazamento seletivo das informações, onde aquilo que interessa aos donos do jornal são divulgados. Os demais… Quem se importa?

Bem, o jornalismo deveria se importar ou, ao menos, o jornalista.  O mesmo problema acontece internacionalmente, não é tupiniquim a crise no jornalismo:

{{Donos do Telegraph pegaram 250 milhões de libras em empréstimos do HSBC e pairam dúvidas sobre a cobertura do jornal no caso – não acredite em mim – The Guardian}}

 

Enquanto isso, Luis Nassif em seu blog, aponta um caminho, sobre um possível envolvido: Robson Tuma {{não acredite em mim – Luis Nassif}}. O jornalista Amaury Ribeiro levanta suspeitas de políticos da oposição estarem sendo protegidos {{não acredite em mim – Viomundo}}.

Nem a folha, nem Fernando Rodrigues  {{nem mesmo aquele juiz que levou a multa}} são a representação divina no Terra. Não há, portanto, nenhum motivo para que o público confie cegamente em sua cobertura jornalística.

O jornalista está tendo liberdade para divulgar o que bem quiser? Há pressão dos patrões sobre ele ? Todas perguntas válidas.

E se entre os clientes estiver, por exemplo, o nome de um grande anunciante do jornal ? Terá ele a coragem de divulgar? Divulgando, terá a lisura de fazê-lo sem manipulações ? Fazendo isso, conseguirá manter o anunciante ?

Alguém garante e põe a mão no fogo que o não há nomes de interesse do jornal entre os 8667 clientes? E se ali tiver o nome Frias ? Ou o do próprio Fernando Rodrigues?

Não, não é acusação. É uma pergunta. Sincera e honesta. Que só pode ser respondida com a divulgação total dos nomes.

O histórico da folha, como demonstrado aqui, não passa a menor imagem de lisura. A folha, como este blog, tem lado {{nesse caso específico bem opostos}}. Não é crime ter lado. Mas fingir não ter é, no mínimo, imoral e anti-ético.

Ou a folha e o UOL divulgam toda a lista de nomes sem fazer acusações genéricas a nenhum ou não divulga nenhum nome e simplesmente o repassa à polícia para as devidas investigações.

Divulgar nomes que lhe interessam servem apenas ao próprio lucro. E não haverá erramos que traga a credibilidade do jornal de volta. Se é que ainda resta alguma.