O editorial do Estadão resolve afirmar que o problema do governo Temer é, basicamente, uma união de mau humorados com ele. Chega a afirmar que todos os sintomas econômicos apontam para uma melhora do país e não entende os motivos da população não confiar mais nas instituições. Recentemente pesquisas indicaram que apenas 36% da população confia na imprensa nacional.  Dos jovens, 89% não confiam ou confiam pouco na mídia brasileira. Por que será ?

{{não acredite em mim – Estadão}}

 

Vejamos a linha fina: ‘mais impopular presidente e pessimismo com a economia. Nos dois casos a percepção não se sustenta em fatos’.Vamos analisar como se fosse um texto a sério porque senão não tem por onde começar.

Temer não foi um presidente eleito. Ele foi um vice-Presidente eleito que, concordando ou não com ele, ajudou a tirar do poder uma Presidenta que teve votos nas urnas. Fez isso, segundo palavras dele mesmo, porque o projeto de país que Dilma queria implantar {{e que foi aprovado nas urnas}} não servia ao que ele pensava ser o melhor. Então inventou a tal Ponte para o Futuro que é basicamente esse modelo de país que entende que as pessoas tinham muitos direitos trabalhistas e que aposentadoria é um fardo que o Estado não tem como sustentar.

Ou seja, temos um sujeito com zero votos ocupando o cargo no qual esteve uma mulher com 54 milhões de votos. E cujo segundo colocado teve 48 milhões de votos. Repetindo para fixar na memória do editorialista do Estadinho: Temer teve zero votos para ser Presidente. Talvez este seja um fato relevante para ajudar a entender… Mas o editorial continua.

“Quando os cidadãos vão muito além do saudável ceticismo em relação ao poder e, de maneira irrefletida, passam a não acreditar mais nas instituições nem nos pactos constitucionais, tem-se uma situação em que tudo o que emana das estruturas que regulam a vida social, política e econômica do País torna-se objeto de descrença, quando não de hostilidade.”

Deixa eu só rever uma coisa aqui, para ver se tem ceticismo em relação ao poder ‘de maneira irrefletida’ ou se o ceticismo vem de uma boa dose de reflexão mesmo.

Em situações desse tipo, a realidade é sumariamente ignorada, muitas vezes de forma deliberada, prevalecendo uma percepção distorcida e confusa sobre a conjuntura nacionalFazer, o quê, né Estadão?

Em seguida o editorial do Estadão passa a fazer uma defesa do governo Temer, afirmando categoricamente que em nenhum aspecto o país está pior do que com a sua antecessora {{aquela que foi eleita, no caso}}. E para que as pessoas não se enganem sobre as razões dessa defesa, vamos ver o que foi que disse o editorial.

{{imagem meramente ilustrativa, de um print feito à época do processo que derrubou Dilma}}

 

“Por nenhum parâmetro racional se pode considerar o presidente Temer pior, por exemplo, do que sua antecessora, Dilma Rousseff, que praticamente arruinou a economia nacional e foi defenestrada da Presidência, entre outras razões, por ser incapaz de se relacionar com o Congresso”

Vejamos alguns parâmetros racionais:

Desemprego

Salário

Verba para saúde

É de se espantar, realmente. Onde estão os argumentos baseados em racionalidade, não é mesmo ? Mas segue o Estadão:

“No entanto, graças ao clima de caça aos corruptos que se instalou no País, em que todos os políticos passaram a ser considerados ladrões, Temer acabou sendo alçado ao lugar mais alto do panteão da corrupção da política nacional”

Pobre Temer, tão honesto, tão acusado injustamente.

{{não acredite em mim – Valor}}

O mau do jornalismo de hoje em dia é partir do princípio que os leitores e leitoras não são capazes de juntar lé com cré. Ou isso ou então é um editorial ao estilo “Tiago Leifert“, manja ? Daqueles que tenta fazer humor quando devia fazer jornalismo.

Nas duas opções o palhaço e a equilibrista somos todos nós.