As vozes dissonantes que me perdoem {{ou me chamem de ingênuo ou dêem patadas ou se calem, tanto faz}}, mas um valor maior se alevanta.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As obras grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o imenso feito saramaguiano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Temos uma mulher presidentA.. Temos uma mulher presidentA capaz de entender aquilo que, com respeito às vozes dissonantes que merecem respeito, muita gente de esquerda não foi capaz de entender.

Uma lição que as mulheres sabem perfeitamente, como os negros, aquela esperteza que só tem quem está cansado de apanhar. E eles apanharam, negros e mulheres. E foram torturados, Dilma entre eles.

E se causa estranheza a argumentação eu já sou logo claro: Dilma fez bem de ir à folha. E fez melhor ainda em ir à Ana Maria Braga, como, imagino eu, tenha sido ótima a ida até a Hebe.

Em primeiro lugar porque é preciso saber a importância de cada coisa, cada empresa, cada fato. Em segundo lugar é preciso saber a própria importância. E é preciso juntar os fatos.  Dilma sabe da importância da folha, como sabemos todos, mesmo os que discordam de sua ida.

Sabemos, por mais que desejemos negar, que a folha ainda permanecerá ativa por muitos anos {{ainda assim, não custa rezar}} e com influência altiva por outros tantos. A folha, e disso a Dilma sabe muito bem, não pode ser ignorada {{da mesma forma que qualquer grande aglomerado também não pode, o governo é sim capitalista, sou conformado}}.

Mas aí pode?!

 

O pessoal que discorda da ida até a folha, há de concordar que não ir até lá não seria ignorar a folha, mas comprar uma briga. Desnecessária, em minha humilde opinião, politicamente pouco esperta e, principalmente, a própria briga seria dar à folha uma importância que ela não tem. Como vimos, ela perdeu a eleição.
Não entendo, no entanto, é a mudança de postura para o programa global. A Globo não é tão golpista quanto a folha?! Ambos os veículos apoiaram e foram apoiados pela ditadura {{deixo o trocadilho por conta deles}}.
Feito este pequeno destaque é de bom tom observar a reação nada suave da folha à ida de Dilma para o programa matinal e, depois, aproveitar para rever alguns pontos…
{{não acredite em mim – folha para assinantes}}
Se não ficou claro, eu desenho:
Notaram o rancor? Reparou no ciúmes?! Pois sim. Lembrar da importância que tem cada coisa. Saber pontuar as coisas e, principalmente, não cobrar brigas desnecessárias.
A folha não tem o argumento de que a Dilma não aceita críticas, está fazendo picuinha. O único argumento que sobra é a da entrevista puxa-saco. Mas , hey, é a Ana Maria Braga, o que vocês esperavam?! {{não leitor, agora estou falando com a folha mesmo…}}
Dilma sabe quem assiste ao programa da Ana Maria Braga. Não são os empresários que assistem ao Bom Dia Brasil. E não deu audiência ao Jornal Nacional, embora tenha dado à Globo. Sim, porque a Globo tem sua importância, seu papel social {{favor, antes de xingar, verificar o significado da expressão ‘papel social’}}.
Ao contrário do que faz parecer a matéria o rascunho de matéria da folha, a entrevista ressaltou pontos importantíssimos e para o público alvo correto. Uma mulher disse a outras mulheres aquilo que os americanos já haviam dito, algum tempo atrás.
Yes, we can!

Direto, cara a cara, a mulher mostrou a todo o público que pode cozinhar, falar de maquiagem e cuidar da economia. E devolver o bambolê rosa. E tudo isso sem sair do salto, ou sair, ou fazer como bem acha que deve.
E não há juiz que negue esse direito. A entrevista explicou, por exemplo, a nova lei do salário mínimo. A entrevista contou a história da presidentA e ressaltou o porque da preferência por presidentA.
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É curioso o bastante para falar sobre qualquer assunto e inteligente o bastante para saber que quase sempre estará errado.

  • boa boa

  • aiaiai

    Perfeito!

    {{valeuzis!}}

  • Ester Alves

    A nossa PresidentA é mesmo singular como diz o nosso querido Lula. Adorei o seu texto Caipira Zé do Mér.

    {{Obrigado!}}

  • “o governo é sim capitalista, sou conformado” Aqui eu concordo com você. Me parece que alguns críticos das andanças de Dilma agem como bons cristãos: escolhem as partes que lhe agradam da Bíblia para crer e ignoram as partes que consideram amorais.
    Pois que este governo é representante de um projeto de país escolhido nas eleições. Um projeto de estabilidade e bonança capitalista (com seus relativos avanços sociais, claro), no qual as grandes empresas, inclusive as de mídia, são convidadas a se aliarem e protagonizarem.
    Por que não se pode afagar a Folha mas andar de mãos dadas com Sarney, tudo bem? São, todos partes de uma governança que faz a manutenção deste projeto eleito.
    Ou se defende outro tipo de país e arca-se com as consequências (pesadas) disso, para o bem ou para o mal, ou se acalma com as pequenas (relativamente) conquistas que o capitalismo “brazilian way of life” pode oferecer. E esta segunda opção foi defendida com unhas e dentes na eleição por muitos que hoje criticam a presidenta. E tanto Lula (a meu ver, mais) quanto Dilma têm sido competentes e coerentes com isso. O povo não foi enganado em momento algum. Desde a “carta aos brasileiros” sabíamos disso.
    Não dá pra dissociar uma coisa da outra. Ou brindamos a estabilidade e os números baixos da inflação aceitando a política suja necessária, ou derrubamos a ordem e construímos um novo país do zero (ou quase).

  • Adorei o texto, picuinhada da Folha!!!

    {{valeu!}}

  • Márcio

    Não falta mais nada nesse país, presidente guerrilheira, puta lança filme e livro e um palhaço é mistro da cultura …. hahahahahaha, país de merda mesmo

    {{Isso sem contar os analfabetos funcionais e preconceituosos…}}

  • Roberta

    Gente, por favor parem com esse negócio de Presidenta, é a mesma coisa de chamar uma estudante de estudanta!!!

    {{Roberta sugiro que leia o texto “Presidente ou Presidente” aqui neste blog -> http://imprenca.com/2010/11/presidente-ou-pre… }}

  • Dany

    Não vi no dia, mas achei muito legal a Dilma ter ido lá…não pela Globo, mas por tudo o que o texto ai mesmo acabou de dizer! Muito bom!! 😀

  • helena Conserva

    Achei Fantástico o omelete que ela se propôs a fazer. Até tive uma idéia: sugiro que a mesma passe a participar de vários outros programas: Faustão, Caldeirão do Ruck, Vídeo-Game, Amor e Sexo etc, etc, etc e enquanto isso convide a Marina Silva para pensar nos problemas do Brasil. Promover fóruns de discussão em buscar de solução para os nossos problemas, o problema da educação por exemplo, os desabrigados das enchentes e, também a questão de cadeias para prender os políticos larápios que desmoralizam a nação e servem de exemplo para todos os desonestos que habitam a nossa pátria.

    Recebi um email do psicólogo Ubirajara Alves que também escreveu seu repúdio, ele disse: Eu quero saber quem vai pagar a conta desse “omelete”. Vocês já imaginaram quanto custou esse deslocamento da presidenta de Brasília? Primeiro ela irá tomar um avião da FAB (Força Aérea Brasileira), saindo da Presidência da República para o Rio de Janeiro e em seguida um helicóptero da FAB que irá levá-la do Aeroporto do Rio para o projac, da Globo, e vice-versa, com todo aparato que exige, a segurança de um presidente e a maquina operacional como exige o protocolo, é coisa que só dá para ficar na imaginação, mas que daria para colocar carteiras em uma centena de escolas públicas que, em algumas escolas do Brasil as aulas ainda não começaram por falta de lugar para sentar.

    {{Helena, o deslocamento da presidenta é um custo irrisório ao país. Você deve estar achando que é muito porque parou para pensar nos seus ganhos e, claro, diante disso é um custo enorme. Porém, a chefe de Estado de um país, seja ele qual for, deve procurar sempre se manter próxima às bases que a elegeram, até para que possa governar para esta base. Nos EUA é muito comum que o presidente participe, inclusive de programas de humor, coisa sadia para a democracia.

    Me recuso a falar da Marina Silva, se você quiser minha opinião a respeito dela, coloque “Marina Silva” na busca do blog e você vai achar alguns textos…

    Obrigado por ler e comentar no ImprenÇa}}

  • Roberta

    Sr. ou sra. gerente do blog, li o texto que você me sugeriu e sinceramente não quis me dizer nada. O substantivo presidente é classificado como comum de dois gêneros e não como um substantivo masculino como você está achando no seu texto.
    Explicando: Um substantivo comum de dois géneros/gêneros (frequentemente chamado simplesmente comum de dois) é um substantivo que tem dois valores de género/gênero possíveis, sendo que a escolha de um valor não tem consequências morfológicas (a palavra mantém-se inalterada independentemente do género) mas tem consequências sintácticas/sintáticas, pois este substantivo tem a capacidade de desencadear alterações morfológicas nas palavras que com ele concordam. Exs.: «o intérprete/a intérprete, o jurista/a jurista».
    Vamos usar como exemplo o substantivo acima, o jurista. Então quem inventou essa palavra deve ter sido uma feminista, porque ela termina com a, se for pelo seu pensamento então é assim. Sinceramente acho que você tá muito complexado(a), vendo machismo onde ele não existe.
    E e daí se a Presidente é mulher, negro, gordo, magro, narigudo, dentuço ou orelhudo? O que importa é o seu caráter e a sua competência. E que a verdade seja dita, “a Presidente” soa muito mais bonito, mais chique.

    {{Em verdade as duas opções estão corretas, sem prejuízo à gramática. Mas como disse a presidentA o uso do “A” ao final dá maior destaque ao fato de ser uma mulher quem ocupa o cargo. Penso que a estranheza é causada justamente pelo ineditismo do fato. E para mim muda muito o fato de ser uma mulher ou negro na presidência. Caráter e competência nada tem com isso.

    Explico: É óbvio que cobraremos competência e caráter, isso não está em discussão. Mas também é um óbvio sinal de mudança de paradigma o fato da mulher ocupar um cargo tão alto no país. Como foi para os americanos o fato de um negro presidir um país com histórico tão alto de racismo…

    Se me permite sugerir ainda outro texto deste blog, desta vez de uma autorA, Renata Winning, o texto “Quem tem medo de mulher” mostra números e estatísticas das mulheres no país…

    Obrigado por ler e comentar aqui no imprenÇa,

    Caipira Zé do Mér }}

  • Eu entendo a bronca dos companheiros da blogosfera com FSP (eu também tenho), o problema é que alguns parecem querer que o governo busque ser insultado pelos jornais. Só faltam dizer que a assessoria de comunicação da Presidência da República é incompetente porque coloca a presidenta em progrmas de grande audiência e neutraliza as críticas dos grandes veículos. Dilma é muito diferente de Lula e nem ele dispensou a Globo.

  • Hermano

    Primeiro: parabéns ao Brasil por ter uma mulher presidente (acho mais bonita a palavra do que “presidenta”, que diferentemente da Roberta, sei que é uma forma correta.

    Segundo: a politização no Brasil vai só até a primeira página, pois o povo é preguiçoso e já sabe de tudo. Quem disse que a Grobo apoia a Dilma. Não é possível que já se esqueceram da farsa da bolinha de papel, constatada pelo perito Molina (ou Bolinha, como ficou conhecido).

    Terceiro: gostaria de perguntar aos opositores do deslocamento da Dilma se eles se empenhavam tanto na época do Viajando Henrique Cardoso, que não parava dois dias consecutivos no Brasil e foi incapaz de tecer um acordo comercial com um país diferente sequer. Acharam o que? Que a Dilma ia pegar seu velho tempra (isso mesmo, um tempra) e se deslocar até o Rio? É como dizem: os cães ladram, mas a caravana não para.

  • Roberta

    Eu acho que o ineditismo do fato não foi ser eleita uma mulher Presidente e sim o fato de ter sido a primeira vez no Brasil em que um Presidente é eleito pegando carona na popularidade do Presidente anterior, ela foi e ainda acredito que seja apenas o corpo, e o Lula a cabeça.
    Já que estou aqui gostaria de dizer que sou anti-petista e essa Dilma não me convence nem um pouco.

  • Roberta

    Eu acho que o ineditismo do fato não foi ser eleita uma mulher Presidente e sim o fato de ter sido a primeira vez no Brasil em que um Presidente é eleito pegando carona na popularidade do Presidente anterior, ela foi e ainda acredito que seja apenas o corpo, e o Lula a cabeça.

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