Ela não disse estar decepcionada com a visita, mas declarou que não conseguiu tudo o que gostaria…

Jornalista: Senhora Presidenta, muita gente espera também mudanças na política externa em relação ao governo anterior, nomeadamente, nas relações com os Estados Unidos. Parece-me, deu-me a ideia, que a visita do presidente Obama não correu tão bem do ponto de vista do Brasil como estavam à espera… Por exemplo, ficou melindrada que ele tivesse feito uma declaração de guerra à Líbia em território brasileiro.
Presidenta: Veja bem, em qualquer território, eu prefiro que não haja declarações de guerra. Agora, eu não considero que a visita não foi bem sucedida, depende do que se esperava da visita. O que nós esperávamos era que, nesse início do meu governo e na metade do governo dele, o Brasil e os Estados Unidos reconhecessem que ao estarem localizados no mesmo hemisfério e terem uma relação histórica, têm de reconhecer que é importante articular, estruturar, uma relação entre iguais. O Brasil, hoje, é uma nação que, pela sua própria situação no mundo e pelo que atingiu, tem todas as condições de pleitear, por exemplo, o Conselho de Segurança da ONU. O Brasil e os Estados Unidos têm relações comerciais e de investimento de parte a parte, hoje, que são de absoluto interesse do Brasil e dos Estados Unidos. E parcerias a serem feitas na área de Ciência e Tecnologia, na área educacional, como eu estava dizendo.
Jornalista: Mas as vossas exportações esbarram com as barreiras alfandegárias americanas, não é?
Presidenta: É verdade, e aí, há uma questão que tem de ser muito bem olhada pelas duas partes porque, enquanto diminui a presença nessa relação comercial dos Estados Unidos, uma vez que obviamente eles hoje não são mais o nosso principal parceiro comercial…
Jornalista: … aumenta com a China.
Presidenta: … e sim, é a China, uma das formas de você chegar nos Estados Unidos, ela pode ser mais longa. Você pode exportar para a China e a China exportar para os Estados Unidos, mas, de qualquer jeito, este é o mundo globalizado. Então, quando você escolhe parceiros comerciais, você tem de escolher em uma ótica em que o país tem de olhar o que lhe é melhor, não só do ponto de vista imediato de superação de uma crise, mas do ponto de vista estratégico das suas relações internacionais. Nós somos um país que defende relações multilaterais. Achamos que se justifica o bilateralismo, mas nós não excluímos, nós não temos, hoje, nenhuma preferência por nenhum país. Nós temos uma política de valorização dos nossos parceiros, na medida em que eles nos valorizam.

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