O que o Wellington fez foi realmente, inoinável… {{não acredite em mim}}

Mães de Realengo pedem aula e psicólogos

Criança ferida no massacre, que faz um mês amanhã, só teve a primeira consulta ontem

06 de maio de 2011 | 0h 00 – Pedro Dantas / RIO – O Estado de S.Paulo
Às vésperas de completar um mês do massacre de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio, mães de alunos reclamam da falta de aulas e do precário atendimento psicológico oferecido pela Prefeitura do Rio.
Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE
Posto de Padre Miguel. Pais dizem que jovens foram recebidos só uma vez no local onde é feito o atendimento psicológico
“Os assistentes sociais e psicólogos sumiram. Os pais que não podem pedir transferência já aceitam que o ano letivo foi perdido. Até agora, nada de aulas. Levaram as crianças para passear e até trouxeram equipe de funk, mas não falaram nada sobre a retomada do estudo”, disse Eliane Ferreira, de 26 anos, mãe de dois adolescentes que presenciaram o massacre. Seus dois filhos foram atendidos por psicólogos apenas uma vez e já foram dispensados de sessões futuras.
A demanda é grande. Segundo psicólogos de uma das clínicas credenciadas para acompanhar os estudantes, 200 pessoas, entre alunos e parentes, aguardam agendamento para as consultas.
A prioridade agora ficou para o atendimento de 50 casos de transtornos de estresse pós-traumático, depressão e picos de pressão envolvendo feridos e parentes das crianças mortas no massacre. Alguns desses atendimentos são feitos a domicílio. Outros são realizados em um posto de saúde em Padre Miguel, também na zona oeste.
Mesmo entre os feridos, o atendimento não foi tão rápido. Carlos Matheus, de 13 anos, ferido no braço e de raspão no peito, só teve sua primeira consulta com uma psicóloga ontem. A sessão durou uma hora e meia. “Acho que vai funcionar”, disse a mãe, Carla Vilhena.
Sua esperança é de que o filho “volte a ser o que era antes da tragédia”. “Ele sempre foi alegre, agitado. Agora só quer ficar deitado, não quer muita conversa.” Mesmo traumatizado, Carlos pediu à mãe para continuar na escola.
Funk. Durante toda esta semana, os aluno
s da Tasso da Silveira assistiram gratuitamente ao filme Rio, em uma promoção do shopping Sulacap, na zona oeste da cidade. A sessão de cinema foi tranquila, mas nem sempre os planos de diversão funcionam. Na terça-feira, o som da equipe de funk Furacão 2000 assustou uma aluna. “A menina chegava à escola com o pai e saiu correndo quando ouviu as batidas da música e a gritaria das crianças”, contou Eliane.
Mães também reclamaram de outro passeio. Os 50 alunos das salas onde o atirador matou 12 estudantes visitaram o Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, na zona sul. Os alunos do sétimo e do oitavo anos foram ao museu de armas utilizadas pelos soldados na 2.ª Guerra Mundial.
“Ela já passou por um trauma e ainda levam a menina para ver uma coisa dessas?”, questionou a empregada doméstica Maria Valéria Barbosa de Faria, de 38 anos. Sua filha Júlia Barbosa Faria, de 13, ainda reluta em ir para o colégio, mas teve alta do psicólogo.
Ponderação. Há mães mais ponderadas nas críticas. “Tudo ainda é muito recente. As outras (mães) não entendem que devem procurar os psicólogos na escola e, se for o caso, levar os filhos para as clínicas. Os psicólogos recomendaram os passeios para que as crianças esqueçam, mas algumas mães reclamam. Eles acham que estudar é o melhor para superar”, afirmou a vendedora Elizabete Gomes do Nascimento, de 32 anos. Ela diz que o filho Matheus, de 10, tornou-se mais agressivo depois do massacre, mas está sob atendimento psicológico e vem melhorando.
Entre os alunos das turmas 1801 e 1803, onde o atirador matou suas vítimas, as sensações são diversas. Marcelle de Souza Cerqueira, de 14 anos, está sendo atendida por uma psicóloga, mas quer sair da escola nas próximas semanas. “Não consigo passar no lugar em que ele (o assassino) caiu morto.”
Frequência. Wagner Silva, de 15 anos, pensa diferente. “Vou ficar. Estou indo bem na psicóloga”, disse. Na fisioterapia para recuperar o movimento do braço direito atingido por uma bala, Jhonatan Oliveira dos Santos, de 13, também quer continuar no colégio.
“Eu estou tranquilo, mas a frequência dos colegas ainda é baixa. Hoje, só 15 alunos da turma 1803 compareceram.”
Receio
MARCELLE DE SOUZA
CERQUEIRA, 14 ANOS
UMA DAS TESTEMUNHAS DO MASSACRE DE REALENGO
“Tem gente na internet que diz que vai terminar o serviço dele (Wellington). Tenho medo e
quero sair daqui” 

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