Profissão Repórter e A Liga são dois programas bastante semelhantes. O primeiro, da rede Globo, busca mostrar um pouco mais como é a vida por trás das câmeras enquanto o segundo busca abordar diferentes temas e explora-los.

Mas apesar das semelhanças na estrutura do programa existem diferenças bastante claras de abordagem entre um e outro.

Comparar os dois programas traz alguns problemas. O global tem apenas 30 minutos de duração  enquanto o programa da Band tem cerca de 1 hora. O global, em tese, tem a preocupação de mostrar mais dos bastidores e não apenas o assunto tratado, enquanto o programa de Rafinhas Bastos procura somente o foco de cada programa.

Como seria por demais injusto comparar temas diferentes procurei um que tivesse a ver com ambos os programas. E achei. O crack.

Antes de outras injustiças coloco logo o link de ambos:

 

 

No programa da Bandeirantes a abordagem é mais pessoal, informal. E aí é que os problemas acontecem.

Quem lê este blog está cansado de saber {{não sabe? Leia aqui – não acredite em mim }} que não considera-se a existência de um jornalismo imparcial. Acreditar nisso causa aberrações do tamanho de uma apologia ao golpe militar {{o jornalista responsável não permitiu a divulgação do email dele, mas justificou que tentou ser “apolítico” ao tratar do golpe de 64}}. Não é, portanto, disso que estou falando quando faço a crítica a seguir.

A liga segue o padrão justiceiro de ser. Ele se envolve e trata o tema como algo pessoal. Para lembrar: o tema é o crack.

Enquanto o “Profissão Repórter” busca de forma superficial abordar diferentes usuários, polícia, familiares; o “A liga” diversifica menos {{diversifica, tem mais de um personagem mas o foco é em um, apenas}} e busca um aprofundamento em um personagem.

Esse caminho traz a vantagem de aproximar a audiência do fato, causando comoção {{fácil?}} do público. Enquanto o caminho global afasta o espectador das personagens. Prova disso é, por exemplo, o uso do microfone, marcando bem a diferença entre repórter e personagem, enquanto Rafinha Bastos busca literalmente ser colega do entrevistado.

A desvantagem é menos óbvia, mas igualmente importante: afasta o espectador de ver a raiz do problema, não generaliza nem o problema nem a solução.

 

A grande diferença entre um e outro, me parece, é a existência de um repórter como Caco Barcelos. Profissão repórter é um raro programa onde o jornalismo busca um olhar sobre determinado tema e não faz questão de tomar partido, o que não quer dizer que não o faça, claro.

Ao abordar o crack de forma pessoal não sabemos de políticas públicas nem paramos para pensar no assunto. Quando o assunto resume-se ao “13” {{nome do personagem abordado por Rafinha Bastos}} nosso sentimento é de determinantes pessoais, casuais. Ao assistir um programa como o global, nos damos conta de que o problema não é de indivíduo, mas de sociabilidade e, portanto, temos a possibilidade de voltar nosso olhar para políticas públicas.

Esse, aliás, é o grande problema de programas com esse ar justiceiro já comentado. Nos dão sempre a impressão de serem problemas que só se resolvem com um programa de televisão.

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É curioso o bastante para falar sobre qualquer assunto e inteligente o bastante para saber que quase sempre estará errado.