A Globo começou a divulgar seus princípios editoriais. São uma série longa de regras de postura para seus jornalistas com o objetivo de ser transparentes isentos. Sim, estou falando das Organizações Globo. As mesmas empresas que fizeram um editorial elogiando o golpe militar; as mesmas empresas que fingiram que a passeata para as diretas não ocorreu; a mesma que deturpou o debate de 1989 em favor de Fernando Collor.

Partindo do princípio que o mundo é constituído por ursinhos carinhosos vou soltar uma afirmação um tanto nobre de minha parte: “Antes tarde do que nunca”.

Mas, como o sagaz leitor já deve ter notado {{e a ressentida leitora}}, o mundo não é constituído por ursinhos carinhosos, muito embora caiba a este blogueiro o papel de Coração Gelado. Pois bem, vamos aos tais princípios….

{{Crédito da foto {link url="http://www.flickr.com/photos/miandrade/4208246255/sizes/l/in/photostream/" target="_blank"} Michele Andrade {/link}}}

É bem verdade que a Globo não foi a primeira a lançar seus princípios editoriais. Em verdade foi a última, a folha, por exemplo, mantém no seu manual de redação os tais princípios.

Eu confesso que não entendo muito bem o porquê de uma carta com os princípios editoriais, mas vamos ver o da folha para ficar mais claro {{ou não}}…

A folha estabelece como premissa de sua linha editorial a busca por um jornalismo crítico, apartidário e pluralista.

Essas características, que norteiam o trabalho dos profissionais do Grupo folha, foram detalhadas a partir de 1981 em diferentes projetos editoriais.

{{não acredite em mim}}

Ok, vamos aos tais documentos…

1984

A campanha diretas-já faz parte da história brasileira. Faz parte, também, da história da folha, que aderiu à campanha em novembro do ano passado e foi o primeiro grande meio de comunicação a fazê-lo.

1985

(…)o desenvolvimento ao Projeto que orienta a folha depende sobretudo de duas coisas: de que ela se caracterize de maneira original como uma publicação com imagem pública ostensivamente diferenciada e de que se torne um produto de mercado indispensável ao público pela quantidade do serviço de interpretação, de opinião e – principalmente – de informação que produzir.

Por imagem pública devemos entender a unidade formada pelo corte ideológico das preocupações do jornal, pelo seu estilo editorial e pela sua fisionomia plástica.

Só eu que noto uma certa discrepância entre o mundo real e o mundo dos princípios da folha?! A folha diz no editorial que é a favor das diretas já mas o Élio Gaspari, hoje colunista da própria folha, diz  que ela emprestava carros para a ditadura {{Elio Gaspari. A Ditadura Escancarada: As Ilusões Armadas. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. 395 p.}}.

Ela diz que deve ser independente e logo depois diz que a imagem pública dela será formada pelo corte ideológico das PREOCUPAÇÕES do jornal. Sim, não é do país, é do jornal.

Mas seu Caipira, o cê num ia falá da Grobo?!

Sim, nobilíssima leitora e precoce leitor, é tudo uma questão de retórica, quero mostrar que essa história de princípios editoriais não valem nada…

Outro grande jornal do país e de São Paulo é o tal do Estado de São Paulo…

Os produtos do Grupo Estado estão abertos ao debate dos assuntos públicos e, independentemente de suas posições editoriais, defendem o pluralismo e a diversidade de opiniões. Recusam-se, no entanto, a veicular teses que neguem a liberdade, atentem contra a dignidade da pessoa humana ou agridam os  princípios da ética informativa definidos neste
documento

{{não acredite em mimpágina 8 do PDF}}

Agora você lê a parte grifada e me diz o que significa isso:

Muito coerente

Interessante o uso da palavra pluralidade no editorial do jornal…

Globo: antes nunca do que tarde e mal feito! Peraí, o ditado não era bem assim...

Crédito da foto: kenjiys

Já as Organizações Globo demoraram um pouco mais para criarem princípios editoriais, fato inteligente posto que não se pôde, até então, acusar a Globo de ser contraditória…

O documento é enorme e pode ser encontrado no site G1 {{não acredite em mim}}. Eu gostei particularmente da parte em que o jornal fala de isenção…

a) Os veículos jornalísticos das Organizações Globo devem ter a isenção como um objetivo consciente e formalmente declarado. Todos os seus níveis hierárquicos, nos vários departamentos, devem levar em conta este objetivo em todas as decisões;

 

Opa! Então não mais teremos edições de debates como aquele de 1989 {{a própria Globo admite que a edição “não foi equilibrada” – não acredite em mim}}? Não teremos mais entrevistas como nas eleições de 2010, quando o próprio aliado de José Serra admitiu que as entrevistas foram tendenciosas? {{não acredite em mim}}

Sei não, mas se admitiram que erraram em 1989 porque erraram de novo em 2010?! Mas enfim, continuemos…

b) (…)O contraditório deve ser sempre acolhido, o que implica dizer que todos os diretamente envolvidos no assunto têm direito à sua versão sobre os fatos, à expressão de seus pontos de vista ou a dar as explicações que considerar convenientes;

Não seria interessante dizer: têm direito à sua versão sobre os fatos com o mesmo tempo ? Sei lá, evita aberrações como as tentativas do Jornal Nacional de esconder a Dilma, né?! {{não acredite em mim}}.

Mas a parte mais divertida fala exatamente sobre… aviões! Sim, senhoras e senhores, leiam se forem capazes:

m) As Organizações Globo são independentes de grupos econômicos, e os seus veículos devem se esforçar para assim ser percebidos. Por esse motivo, as decisões editoriais sobre reportagens envolvendo anunciantes serão tomadas a partir dos mesmos critérios usados em relação aos que não sejam anunciantes;

(…)

o) Os jornalistas das Organizações Globo devem evitar situações que possam provocar dúvidas sobre o seu compromisso com a isenção.

(…)

r) (…)Isso significa que o público será sempre informado sobre as condições em que forem feitas reportagens que fujam ao padrão. Assim, para citar um exemplo, se for imperativo aceitar carona num avião governamental em determinada cobertura, isso será dito ao público claramente e, sempre que possível, o governo será ressarcido das despesas.

 

Interessante… bastante bom que a Globo não use o nosso rico dinheirinho para entrevistar quem quer que seja, então tomara que faça mesmo os ressarcimentos e tal. Mas aí me bate uma dúvida… As partes que coloquei em negrito juntando com o que está sublinhado me soam um tanto estranhas quando eu vejo uma dessas fotos que vemos por aí…

Aquele símbolo ali atrás é do Bradesco mesmo?! Então supondo que uma dessas reportagens descubra que Bradesco Seguros utilize peças de desmanche {{claro, só uma suposição}}, como ficaria a premissa anterior? Só relembrando…

Os jornalistas das Organizações Globo devem evitar situações que possam provocar dúvidas sobre o seu compromisso com a isenção.

Ainda bem que é apenas uma suposição, o Bradesco jamais estaria envolvido em escândalos desse tipo e caso se envolvesse as Organizações Globo não teriam o menor problema em denunciar…

{{{link url="http://www.noticiasautomotivas.com.br/sindicato-mostra-que-bradesco-seguros-usa-pecas-de-desmanche-em-carros-de-segurados/" target="_blank"}não acredite em mim{/link}}}

 

E três vivas aos Ursinhos Carinhosos!

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É curioso o bastante para falar sobre qualquer assunto e inteligente o bastante para saber que quase sempre estará errado.

  • Hahahahaha… mto bom

  • Ai que lindo! Plim plim! =)
    Dá-lhe Caipira!

  • E há quem ainda duvide da isençao, imparcialidade e compromisso com o país, que nao só a rede globo, mas os grandes veículos de comunicaçao no Brasil possuem… Viva, viva e viva aos Ursinhos Carinhosos.

  • eltonbcastro

    Caipira, eu sou teu fã, haha.