Porque Estado é uma coisa e Religião é outra

Porque Estado é uma coisa e Religião é outra

“Marco Feliciano @marcofeliciano Pressão Nossa —: Ministério da Saúde manda tirar do site vídeo com cena homossexual glo.bo/yG6KoF

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Essa tuitada do pastor e deputado federal Marco Feliciano, do Partido Social Cristão por São Paulo, sacramenta o fim do estado laico no Brasil. O lobby religioso uma vez mais exigiu e neste carnaval a campanha de prevenção à AIDS não contará com a peça publicitária para o público homossexual, produzida justamente pelo preocupante recrudescimento da epidemia entre essa população. Esse fato vem logo após o governo vergonhosamente ceder a esse grupo conservador e suspender a distribuição dos kits anti homofobia, perpetuando os casos de bullying físico e psicológico contra os jovens gays e lésbicas nas escolas.
Isso já havia sido anunciado na campanha eleitoral com a supressão de temas como aborto e união civil entre pessoas do mesmo sexo do programa de governo. Tudo em prol de uma coligação política que tende mais para uma inquisição moderna, que conseguiu unir os cristão das mais diversas religiões e é baseada no preconceito, preconizando a exclusão e o sofrimento para aqueles que não forem do povo de Deus.
Muito se faz neste mundo em nome do Pai. Em nome dEle são atirados aviões sobre vidas, são explodidas mulheres em meio a multidões, são executados homossexuais e outras pessoas que pensam ou agem de forma diferente das Escrituras. Em nome dEle o destino de 33 milhões de pessoas foi alterado, sendo que outros tantos o tiveram selado, pois não se pode usar ‘contraceptivos’. Em nome do Pai a eternidade no Paraíso pode ser garantida apenas mantendo em dia o carnê de mensalidades, não importando o quão execrável possa ser sua existência. Em nome dEle, homens ditos de Deus vociferam duras palavras contra os pederastas e sodomitas em pregações onde falta a única coisa que o Pai realmente quer que façamos nesse mundo: amar uns aos outros.
Quando se mistura Estado e religião não dá coisa boa. É só verificar ao redor do mundo e através da história e ver que os resultados são a rigidez da sociedade e um sistema político ditatorial, sempre em nome do Pai. Lembro de uma situação na clínica de fisioterapia onde faço meu tratamento, quando em conversa sobre esse tema com uma senhora evangélica ela posicionou-se, peremptoriamente:
– Quem assumir a presidência tem que governar com o ‘povo de Deus’ (evangélicos de forma geral).
Ao que eu rebati:
– E se um espírita assumir a presidência?
– …… (silêncio)
Ditadura é assim, só e boa para os poucos que estão por cima da carne seca, como se costuma dizer. Eles controlam a informação e decretam a censura de tudo que não lhes convém. E nós deveríamos estar escolados sobre isso, saímos de uma há menos de trinta anos. Aproximadamente o mesmo tempo em que me tornei simpatizante do partido da presidenta, participando de almoços de carne seca com mandioca em escolas de periferia para construir um partido que lutaria por terra, trabalho e liberdade.
Regina Duarte, durante a campanha presidencial de 2002, recebeu uma viúva Porcina de frente e alarmou o país:
– Eu tenho medo!
Sorte nossa que seus receios de desestabilização política e deterioração social se confirmaram infundados, o país entrou em uma era de crescimento e distribuição de renda, proporcionando todos os maravilhosos indicadores econômicos e alguns sociais bastante relevantes. Mas o preço para o desenvolvimento é a exclusão das diferenças? Seremos nós, pecadores, a pagar com nossa liberdade e nosso direito à informação pela governabilidade do país? Serão os jovens gays a pagar com sua exposição a uma doença fatal?

É, Regina… Agora eu também estou com medo.

Beto Volpe

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