Já faz tempo que falo da falta de preparo da Polícia de São Paulo. Mas nunca o assunto esteve tão presente, tão óbvio e tão claro. Exceto para o prefeito nota 10.  A cidade de São Paulo, para quem não sabe, possui 31 subprefeituras. Em novembro 29 das 31 subprefeituras estavam nas mãos de policiais militares {{em geral aposentados, ganhando dois salários, portanto}}.

Hoje apenas uma subprefeitura está nas mãos da população civil {{não acredite em mim}}. É o que este Caipira lambe-botas chama de “Democracia Militar”, ou invente você um nome apropriado.

É lógico supor que as subprefeituras estejam nas mãos de subprefeitos {{ O’ rly?!}} que sejam especialistas nos temas mais correntes. Exemplifico: uma região muito violenta receberia um subprefeito especialista em segurança {{poderia até ser um PM}}. Mas não é lógico, nem normal, que o prefeito {{ou melhor dizendo, o tiozinho que recebe salário de prefeito}} suponha que a única demanda da cidade seja a violência.

Mais engraçado {{manja “rir para não chorar?!”}} é ver que:

Homicídios crescem 21% e confirmam ‘escalada da violência’ na capital paulista

Seis primeiros meses do ano tiveram 21% a mais de homicídios e 4% a mais de latrocínios na cidade de São Paulo. Secretario de Segurança admitiu escalada na última segunda-feira

{{não acredite em mimÚltimo Segundo}}

E enquanto você lê sobre a escalada da violência, o querido comandante geral….

A violência aumenta e o comandante comemora.

O fato é bastante simbólico, mas não é só. O Ministério Público pediu o afastamento do comando da PM {{o que mostra como está bem a cidade… 30 subprefeituras das 31 estão com PMs}} “alegando a perda do controle da situação“. {{não acredite em mim}} E eu aqui me perguntando quando foi que alguém controlou alguma situação… Na terra onde PCC faz acordo com a polícia {{não acredite em mim – é um post sobre o RJ, mas com a comprovação do acordo}}, a polícia controla a cidade.

Tudo sob controle.

E antes que me condenem o problema não é a polícia. É a prefeitura e o governo do Estado. Por quê? Veja {{mas não a revista!}}.

O Portal da Guarda Civil Metropolitana anuncia com toda a pompa:

 Na reunião que aconteceu nesta segunda-feira (02/07), no Edifício Matarazzo (Gabinete do Prefeito) foram discutidos assuntos referentes aos Grandes Eventos na cidade, Operações de Combate à Pirataria, Contrabando e Sonegação Fiscal; Proteção e encaminhamentos as pessoas em situação de rua; 

{{não acredite em mim – Prefeitura de SP}}

O cidadão deitado na foto logo acima {{é bom lembrar, cidadão, palavra que lembra cidadania…}} está sendo roubado. Não, não é papinho CQC {{viu, Dani-fulana, essa indireta é para você}}. É fato mesmo.

A Guarda Civil Metropolitana tem sistematicamente roubado os moradores de rua. Não sou eu quem está dizendo, mas a promotoria pública. Observe o vídeo {{é bom um saquinho a tira-colo, causará Náuseas}}:

Na Praça do Patriarca, no centro de São Paulo, um grupo de teatro flagrou e registrou imagens de membros da Guarda Civil Metropolitana e funcionários da prefeitura apreendendo roupas, cobertores, colchões e documentos de pessoas que moram nas ruas.

Segundo morador de rua, a GCM não revela como é possível recuperar os pertences que são levados. “Eles não dizem! Eles só pegam e jogam tudo dentro do caminhão. Agora, pra onde vai, ninguém fala”.

De acordo com a Defensoria Pública, a ação de retirada de objetos dos mendigos pode ser enquadrada como roubo pela lei brasileira, mesmo sendo feita por um agente público.

O Pinheirinho, amigos, é aqui. E é todo dia.

O fato é que a gestão Erra / Kassab {{capitaneados por Andrea Matarazzo}} está andando de comum acordo à gestão Alckmin. Pelo menos no que diz respeito à violência.

Quando dizemos que o Estado detém o monópolio da violência não deveríamos estar dizendo que o Estado tem o direito de espancar cidadãos.

As cenas exibidas pelas reportagens do SBT são simplesmente inacreditáveis. A GCM está espancando moradores de rua. E a ordem vem de cima, como evidenciado no vídeo acima, do qual destaco o frame:

A Guarda Civil Metropolitana deverá impedir Pessoas em situação de rua “acampadas” ou deitadas nos bancos {{sic}} jardins ou outros trechos de uso público.

A ordem é limpar as ruas. A ideologia é higienista mesmo. É absurdo, é retrógrado. Mas é o que está havendo por aqui. Os movimentos sociais também estão sendo massacrados pelas subprefeituras. E pelo governo do estado. E não é de hoje. Na reportagem do Portal Vermelho lemos:

Depois das fortes críticas – dos movimentos sociais, ativistas de direitos humanos e autoridades em segurança –, às ações da polícia em SP, o coronel Álvaro Batista Camilo foi afastado, em 2 de abril, do comando da Polícia Militar do estado, cargo que ocupava desde 2009. O novo comandante da PM é o coronel Roberval Ferreira França. A medida é uma tentativa de amenizar a crise na segurança do estado devido aos crimes, que seguem impunes, praticados pela PM.

{{não acredite em mim}}

{{não acredite em mim – Uol}}

A notícia data de abril. Antes, portanto, da manchete acima, na qual a promotoria pede o afastamento do comandante da PM. São Paulo não está largada às traças. São Paulo está sendo violada em seus direitos. É Pinheirinho, no interior do estado. É a cracolândia no centro da cidade. São os moradores de rua, sendo roubados.  E ainda somos obrigados a ouvir que a USP ficará / está segura com a polícia lá dentro.

É ano de eleição senhoras e senhores. Pede-se um pouco de atenção.