Algum tempo atrás um senhor, auto-intulado escritor {{porque ninguém que leve a leitura e a escrita a sério o consideram assim}} – e intitulado pela sua mamãe como Rodrigo Constantino –  escreveu um livro que espalhou, pelo imaginário popular, o termo Esquerda Caviar.

O termo, cuidadosamente pensado {{mas não muito}}, serveria para designar uma parte dos militantes de esquerda que, digamos, são chegados ao luxo.

A expressão é, na verdade, a síntese de uma mente obtusa, incapaz de pensar o todo. Mas, antes de seguirmos no raciocínio, pensemos outras coisas… {{a Dilma não paga o mensanet se eu não tiver pelo menos 500 palavras por post, de modo que vou escrever sobre outras coisas antes de concluir. Peço à senhora leitora e ao senhor leitor uma pequena porção de paciência. Prometo tentar concatenar alguns dos argumentos de modo a construir um todo}}.

Estava eu assistindo televisão outro dia {{faz tempo, mas nem tanto}} quando me dei de cara com uma pessoa um pouco fora do normal, vestida, digamos, com um colar…

Esquerda Caviar

… de tomates. E como sabem os raros leitores e raríssimas leitoras deste pequerrucho blog metido a besta, o pensamento do Caipira que ora vos escreve percorre caminhos de difícil compreensão. De modo que através do tomate, cheguei nisso:

E comecei a pensar nesse tal Jorge Furtado {{nome interessante para alguém que trata sobre a miséria, né?}}… E foi pesquisando que cheguei a conclusão de que Jorge Furtado, apesar do nome, não teve furtada sua bufunfa. O ano do curta metragem acima é 1989. Nesta data Jorge Furtado {{ok, chega de piadas com o nome do cidadão}} já havia criado uma empresa, sido diretor de um museu e criado também a Casa de Cinema de Porto Alegre.

Não é, portanto, um sujeito pobre o que produz este filme.

E pela lógica Constantinesca é, também, membro da esquerda caviar. Isso porque traz um discurso favorável aos mais pobres ao mesmo tempo em que não sofre como eles.

E é aí que entra a falta de polegar opositor do nosso amigo Rodrigo.

Como se sabe os direitos trabalhistas são fruto de uma luta intensa de uma classe social pouco favorecida {{vulgo dos operários e demais fodidos desfavorecidos pelo sistema capitalista que resolveram ser um pouco menos desprezados}}. Não consta, no entanto, que o direito a uma jornada de trabalho com menos de 14 horas por dia seja uma exclusividade dos que trabalhavam muito e ganhavam pouco. Também não consta dos anais {{UEPA!}} da história que esses que fizeram greve, foram demitidos e até mortos para que esse desejo passasse a ser direito, exigissem que fossem eles os únicos beneficiados.

Como não consta que o direito à aposentadoria seja exclusividade de quem ganha mal.

Isso, meus amigos, é justamente o significado da palavra solidariedade. Funciona assim: numa greve de estudantes alguns professores também param o trabalho para dar força à briga dos aprendizes. Ou o inverso.

Significa dizer que é possível a um ser humano  se identificar com as dores alheias e fazer força para resolvê-las. E é este, ou deveria ser, o significado mais ingênuo {{e ao mesmo tempo grandioso}} da ideologia esquerda.

A foto em destaque logo antes do post, foi tirada por um sujeito chamado Kevin Carter. Quem conhece um mínimo de fotografia sabe que o sujeito foi premiado pela foto. Na verdade ele ganhou o maior prêmio jornalístico existente neste planeta. Ganhou rios de dinheiro. E se matou.

A foto é de uma criança no meio de uma das infindáveis guerras civis africanas. O menino está se esfalecendo de dor e fome {{e outras doenças}} enquanto um urubu o espera definhar, com o objetivo de não ficar como o garoto.

O jornalista, doutrinado pelas belíssimas teses teóricas do jornalismo padrão, tirou a foto e seguiu seu caminho. Há apenas alguns quilômetros dali havia um campo de refugiados, para onde o fotógrafo foi. Sem o futuro do que passa a ser o futuro cadáver.

O menino morreu, obviamente. O fotógrafo ganhou o prêmio, fama e dinheiro. Ganhou uma bela porção de culpa também. E se matou.

A história é triste e chocante, sem dúvida. Mas demonstra, ao mesmo tempo, uma frieza e uma solidariedade cortante.

Certamente Kevin Carter não tirou a foto pensando em ganhar prêmio nenhum. Pensou em denunciar a situação em que o país se encontrava. Em chamar a atenção para o fato na esperança de que ele não se repetisse.

O fotógrafo não passava a fome da criança. Jorge Furtado não passava a fome das pessoas do filme dele. Ambos, esquerda caviar. Ambos produziram obras prima no campo cultural. E ambos foram solidários o suficiente para se emocionarem com uma situação longe da deles.

É essa compreensão que falta ao “escritor“. Ao ridicularizar aqueles que possuem dinheiro, mas lutam em defesa dos que não tem – dos que não são seus semelhantes, portanto – Rodrigo ridiculariza um valor humano tão nobre, ingênuo e grandioso quanto pueril: a solidariedade.

Os seguidores do economista certamente não param para pensar nisso tudo. Mas deviam. Ridicularizar a solidariedade é tão ingênuo como ser solidário. Ou ter esperança.

Melhor seria optar pela desqualificação dos argumentos.  Já se foram mais de 500 palavras.

E já não guardo este tipo de esperança comigo. Dormiremos com este {{e outros}} barulho{{s}}.

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