Cid Gomes não foi unanimidade quando escolhido para o Ministério da Educação. Muito petista reclamou. Mas sua saída, com as declarações que deu, parece ter agradado ao PMDB e fortalecido sua imagem com a esquerda brasileira. Como fica o jogo político agora?

Antes de qualquer análise, é bom ver o que disse Eduardo Cunha no Roda Viva, no início da semana na qual Cid Gomes Caiu. Assista a 30 segundos de fala:

Não é o projeto que tem um problema. Quem tem problema é o próprio governo. (…) Ao mesmo tempo estimula a criação de partidos fictícios para cooptar parlamentares da base aliada, como faz com o próprio PMDB, Este é um dos pontos de tensão entre o PMDB e o PT e a própria Presidenta Dilma.

Trocando em miúdos, o que disse Eduardo Cunha, no mesmo Roda Viva é que não dá para o PT pedir cooperação do PMDB ao mesmo tempo em que põe Cid Gomes e Kassab para criarem dois partidos de centro, com o objetivo de enfraquecer o PMDB.

E disse mais, logo no começo do programa ele diz:

O PMDB não quer cargos, o PMDB quer ser ouvido. Até porque eles dão o ministério mas a base continua sendo toda deles, então o ministério efetivamente é deles.

De fato, no início do mandato, na composição ministerial houve inúmeras reclamações e fofocas acerca de ministros que recusaram o cargo porque não puderam compor o ministério como queriam. Ministros do PT, inclusive.

É o que leva o blog a crer que a teoria de que Cid teria dado as declarações de forma pensada, é fruto do famoso wishfull thinking e não realidade.

Ah, sim, se você não viu a declaração que fez o então ministro ser chamado ao Congresso foi:

“Tem lá [no Congresso] uns 400 deputados, 300 deputados que, quanto pior, melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas”

{{não acredite em mim – G1}}

Depois ocorreu o que se viu. Cid Gomes foi ao Congresso, foi provocado, chamado de palhaço, entre outras tantas coisas, saiu antes do final e entregou seu cargo depois de uma reunião com a Presidenta.

Larguem o osso.

Cid, como seu irmão, Ciro Gomes, não é famoso por conter as palavras. Outrora, ainda no governo do Ceará, disse uma frase digna de Maluf, que a esquerda que tanto o exalta agora parece esquecer::  “Quem entra em atividade pública deve entrar por amor, não por dinheiro”. Ele estava falando do salário dos professores {{não acredite em mim – IG}}

Seguindo a lógica de Eduardo Cunha, o próximo alvo será o ministro Kassab. Mas e o governo, como fica?

Dilma tem uma excelente oportunidade nas mãos, de mostrar que lembra como se faz política. Revendo aquele livro antigo, velho, moribundo – de um tal Maquiavel – lê-se uma frase um tanto esclarecedora: Assim, a qualidade exigida do príncipe que deseja se manter no poder é sobretudo a sabedoria de agir conforme as circunstâncias.

Agir diante das circunstâncias

Dilma, está claro, precisa sair do isolamento político em que se meteu. Numa manobra pra lá de desastrada se opôs a Eduardo Cunha sabendo que perderia na disputa da Presidência da Câmara. E indicou um nome que não agradava à esquerda. Perdeu duas vezes.

Poderia ter indicado ao cargo de Cunha, sabedora da derrota como era, um nome mais simbólico {{por exemplo, mas não apenas, Jean Willys}}. Nos bastidores indicaria a Cunha que o governo não iria apoiá-lo publicamente mas não faria força para vencer. Publicamente traria a esquerda para perto de seu governo.

Teria evitado um conflito com o PMDB e poderia ter mais calma para aguardar o resultado da Lava Jato, que ao que tudo indica, vai lavar Renan Calheiros e Eduardo Cunha {{com mais chances de Cunha se livrar do que Renan, mas grandes possibilidades de caírem ambos}}.

Não fez. Agora Cunha conseguiu o que queria, enfraqueceu Cid Gomes no parlamento, enfraquecendo também a criação do partido dele.

E o que pode Dilma? Dilma, sendo oportunista, aproveita a deixa para realocar Mercadante da Casa Civil para a Educação. Ganharia o apoio do PT, que teria de volta uma das principais pastas e teria a chance de colocar alguém que faça a articulação no Congresso de verdade {{o mais cotado, caso isso ocorra, é Jaques Wagner}}.

Fazendo isso sobraria ainda as duas questões principais de Cunha: ou para a criação do partido de Kassab, que levaria a uma paz provisória com o PMDB {{mas manteria a dependência desse partido no Congresso}} ou libera as indicações nos ministérios, o que levará, indubitavelmente a denúncias de corrupção nos anos vindouros.

Não fazer uma coisa nem outra é prolongar a crise política.

Fofocas

Rolam nos bastidores algumas fofocas:

  • Dilma teria convidado Mário Sérgio Cortella para o Ministério da Educação
    • Cortella teria recusado e Dilma teria sondado Chalita.

 

A indicação de Cortella faria sentido, de fato. Um nome técnico, que agrada a todos e pode ser substituído em eventuais negociações sem maiores problemas políticos {{é, encaremos a realidade, pois sim…}}.

Já a indicação de Chalita parece ser apenas notícia plantada. Chalita como se sabe será o vice de Haddad na chapa municipal de 2016. O acordo é tão claro que Marta Suplicy já fechou com o PSB {{depois de beijar a mão de Alckmin}} e até está contratando marqueteiro, conforme notícias que o ImprenÇa recebeu de um jantar no final de semana.

E indicar alguém do PMDB depois de ter sondado uma figura sem partido seria mostra de que o governo não tem mesmo a menor ideia do que está fazendo. Dilma tem muitos erros, mas não este.

Outra fofoca que rolou foi que o PMDB ficaria com a pasta da Comunicação. Berzoíni iria ao Ministério da Educação. Este, fosse real, seria um caminho sem volta em direção ao Impeachment de Dilma. Não me parece ser o caso.

O mais provável e no que o blog aposta, é que Mercadante caia sem cair e vá para a Educação. E Jaques Wagner ou alguém mais articulado e de confiança assuma a Casa Civil.

De todo forma, o que resta é assistir. Cid Gomes abriu uma possibilidade, ela pode ser boa ou ruim…