A Virada Cultural esteve de volta e com ela um pouco de política. Atos e gritos “Fora Temer” foram ouvidos em todos os palcos. Mas o mais relevante ainda foi o fato da Virada Cultural 2016 ter chegado na quebrada.

 

A diferença entre a mídia alternativa e a mídia endinheirada, em tese, é a vontade de mostrar uma outra vertente sobre um tema. Um outro olhar, ao menos. Nessa perspectiva o ImprenÇa ficou bastante decepcionado em ver que a grande parte da mídia alternativa não se deu ao trabalho de sair do centro para cobrir as periferias, algo que nos parecia obrigatório.

{{Foto: Victor Amatucci - ImprenÇa}}

{{Foto: Victor Amatucci – ImprenÇa}}

Por este motivo, depois de acompanhar algumas atrações no centro da cidade, durante o sábado, o ImprenÇa foi conferir como é a Virada Cultural na Quebrada.

A quebrada escolhida foi Parelheiros. A região estava de aniversário, 159 anos, e contou com uma programação voltada às crianças, além de um palco do samba.

Por lá houve Recreart, oficina de brincadeiras culturais, contação “A Barca da Tartaruga e Outras Histórias”, oficina de arte para pequenos e apresentação da “Academia de Palhaços”. As crianças puderam, ainda, aproveitar o pula pula e brincadeiras de rua, como corda, bambolê e bola.

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Fora Temer

A quebrada não ficou para trás quando o assunto foi “Fora Temer”. o ImprenÇa entrevistou um simpático casal a respeito do Fora Temer e da Virada Cultural na quebrada, a resposta não foi diferente das que se ouvia no centro de São Paulo.

{{Foto: Victor Amatucci / ImprenÇa}}

{{Foto: Victor Amatucci / ImprenÇa}}

Gabriel (20 anos) e Thaís (19), já haviam participado de outras edições da Virada Cultural, e consideram importante a descentralização promovida este ano. “Dá mais oportunidade para quem não pode ir ao centro, para quem mora mais para estes lados”, afirmou Gabriel.  Thaís ressaltou que o fato de estar próximo de casa deixa o evento mais seguro “porque você não sabe como vai voltar e acaba deixando de ir”.

Sobre o Temer, são unânimes: “Foi golpe sim.  Feriu a democracia, né? A partir do momento que a maioria venceu a eleição… Se eles falam da pedalada fiscal, precisa falar de todo mundo, não só dela”, afirmou Thaís, futura pedagoga {{chega a dar uma esperança no futuro, saber que ela educará pessoas…}}. O casal é pela volta de Dilma, não é o caso de Rodrigo, 23 anos.

Ele também já havia participado de outras viradas mas deixou de frequentar por conta do alto custo da condução para ir até o centro, além da dificuldade em voltar ao bairro. Sobre Temer e os protestos que estavam ocorrendo nos palcos do centro ele diz concordar. “Acho que está certo, né mano? Porque foi uma falta de respeito o que fizeram, né? Não foi democrático. Então o povo tem que reivindicar os direitos mesmo”, disse Rodrigo.  Ele, ao contrário do casal, não é favorável à Dilma. Diz preferir novas eleições, desde que sem PT e PSDB.

Virada Cultural na quebrada

{{Foto: Victor Amatucci / ImprenÇa}}

A parte da tarde esteve lotada de crianças, com o palco servindo apenas para a equipe de Emicida {{que aliás, fez um show belíssimo, mas que tem o rei na barriga. Sua assessoria exigia que a pauta fosse enviada com pelo menos 1 dia de antecedência para avaliar se ele poderia ou não falar. A área reservada à imprensa ficou vazia por quase todo o show, com a segurança da equipe do LabFantasma impedindo este repórter e outros 2 fotógrafos de trabalharem por ali. A última vez que me pediram as perguntas com antecedência foi em Taboão da Serra, numa ocupação do MTST, e quem pediu foi o sargento, mas assim é a vida}}, que passava o som, enquanto as crianças se divertiam nos bambolês, contações de história, pintura de rosto, entre sorrisos e cães.

Uma pequena feirinha estava ao lado do palco, vendendo pastéis, batatas fritas {{certamente o maior sucesso gastronômico da virada cultural em Parelheiros}} e alguns artesanatos.  Na medida em que o horário do show se aproximava o público foi envelhecendo. Saem as crianças, entram os adolescentes, maior público do show do rapper.

Emicida fez uma breve fala sobre Temer “seus votos não valeram porra nenhuma. 54 milhões de votos não valeram de nada“, disse Emicida ao lado de uma camiseta escrita “Temer Jamais”. A plateia aplaudiu. Embora não tenha gritado o “Fora Temer” que rolou nos palcos do centro, era nítido que o público não apoiava o governo Temer.

A virada na quebrada foi um sucesso, quase 10 mil pessoas assistiram ao show de Emicida, que cantou Cartola. Em meio a pedidos do repertório tradicional do rapper, ele respondeu: “A gente precisa ouvir outras coisas também (…) senão os cara vai meter Luan Santana na goela de vocês até o fim”.  A plateia aplaudiu. Ao final do show, no que seria o bis, Emicida cantou algumas músicas de seu repertório, fazendo bastante sucesso.

O final foi tranquilo e a saída ocorreu sem nenhum problema. Não havia trânsito e o terminal Parelheiros não ficou com filas quilométricas.

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A Virada Cultural na Quebrada é um sucesso. Que bom.

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