Recentemente a folha de São Paulo, aquele amontoado de papel que finge ser jornal, publicou entre suas manchetes: “Para 50% dos brasileiros, Temer deve ficar”.  A manchete causou estranheza, especialmente diante da última pesquisa IBOPE – divulgada em abril – onde apenas 8% dos brasileiros queriam a permanência de Temer.

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{{ao que parece o mundo ‘premium inteligente’ não é o mundo ‘premium sincero’}}

O que teria acontecido? Mais de 7 ministros caíram desde a posse do interino, outros tantos denunciados, gravações de aliados próximos prometendo o final das investigações com a chegada de Temer e tudo isso levou a um aumento de aprovação de 8 para 50% ? Enlouquecemos?

A explicação, como sempre, é bem mais simples. A folha mentiu. O Datafolha não mostrou que 50% dos brasileiros querem Temer. A pesquisa mostra, apenas, que entre Temer e Dilma, 50% preferem ele e 32% preferem ela.

Quando a pergunta, que já havia sido feita pelo IBOPE – 62% dos entrevistados pelo IBOPE disseram querer novas eleições – , foi feita novamente pelo Datafolha, a resposta foi bastante diferente da manchete:

folha

Quando se pede aos pesquisados uma nota ao farsante que senta na cadeira mais importante da República, a nota é quatro {{4}}.  E a pergunta que fica é: como raios você faz uma manchete dizendo que metade dos brasileiros querem Temer na presidência, se a nota média que 100% dos brasileiros atribui a ele é quatro ? Não existe erro, no caso. O que existe é a boa e velha manipulação.

Apesar de toda campanha contrária, Lula ainda aparece em primeiro lugar em todos os cenários pesquisados, variando entre 22 e 23%. O PSDB segue perdendo espaço e Marina Silva segue na segunda colocação. Em todos os cenários Lula cresceu das últimas pesquisas para cá e Marina caiu.

O que segue caindo é a credibilidade da folha de São Paulo. A seguir nesta toada não restará sequer o instituto de pesquisas, que até aqui tinha alguma credibilidade. Tanto que a própria direção do instituto saiu desmentindo o jornal:

Em entrevista à Intercept, Luciana Chong do Datafolha insistiu que foi a Folha, e não o instituto de pesquisa, quem estabeleceu as perguntas a serem colocadas. Ela reconheceu o aspecto enganoso na afirmação de que 3% dos brasileiros querem novas eleições “já que essa pergunta não foi feita aos entrevistados”. Luciana Schong também conta que qualquer análise desses dados que alegue que 50% dos brasileiros querem Temer como presidente seriam imprecisos, sem a informação de que as opções de resposta estavam limitadas a apenas duas.

{{não acredite em mim – The Intercept}}

Mas pior que o soneto foi a emenda. A folha não só não admitiu que fraudou a própria manchete, como tentou ocultar que havia feito a pergunta “você é a favor de novas eleições”, ou seja, o jornal sabia que 62% eram favoráveis à novas eleições e que, portanto, não poderia ter 50% de pessoas favoráveis à permanência de Temer.

Malandramente nem o instituto nem o amontoado de papéis com título de folha perguntaram na pesquisa se as pessoas eram favoráveis ou contrários à renúncia apenas de Michel Temer. Considere-se que 62% responderam serem favoráveis às renúncias de Dilma e Temer, e que dos que disseram não querer a renúncia dos dois, boa parte tem o PT como partido de preferência, e teremos um número superior aos mesmos 62%, quando a pergunta é a renúncia exclusiva de Michel Temer.

A pergunta que fica é quando é que sai uma pesquisa a respeito da credibilidade do jornalzinho dos Frias.

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É curioso o bastante para falar sobre qualquer assunto e inteligente o bastante para saber que quase sempre estará errado.

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