Quando no dia 16 de março deste ano o juiz Sérgio Moro divulgou, ilegalmente, as conversas telefônicas entre Lula e Dilma, o jornal Estadão se mostrou favorável à divulgação e criticou Dilma pelas críticas feitas pela petista. Hoje, nove meses depois, a opinião do jornal mudou da água para o vinho; como num milagre natalino.

Não chega a ser surpresa a ninguém que os jornais brasileiros façam de sua matéria prima a deturpação de fatos e olhares, segundo as vontades de suas próprias ideologias. Mas a cara de pau com que o Estadão mudou de opinião é digna de troféu.

O editorial publicado hoje, 14 de dezembro, “Quando a pressa é necessária”, faz a seguinte ressalva: ” Tem toda a razão o presidente Michel Temer, portanto, quando reage ao vazamento de delações premiadas – nas quais seu próprio nome é mencionado” {{não acredite em mim – Estadão}}.

O jornaleco conta, é claro, com a falta de memória de seus leitores. Afirma, como se nada fosse, que ” o resultado do vazamento de informações que, no momento, servem apenas aos interesses dos que desejam se apresentar como salvadores da Pátria” ou, diz o jornal, os saudosos do populismo lulopetista.

Mas quando o vazamento ilegal {{segundo o próprio juiz que fez a divulgação – não acredite em mim – Estadão, vejam só vocês}}, o editorial não trazia a mesma indignação. Ao contrário, a matéria “O papel da imprensa e da Justiça na crise brasileira”, dizia:

{{artigo publicado em 22 de março, não acredite em mim – Estadão}}

 

Veja não sou eu quem afirma que o Estadão do 14 de dezembro é estúpido e oportunista. É o próprio Estadão quem o faz. Mas não foi o único artigo. Pouco depois, em 11 de abril, a mesma tentativa patética de jornal publicou editorial com o nome de “Crime é o que não falta”, no qual fazia mais do que a própria justiça brasileira {{que não imputou sequer o título de “réu” à ex-presidenta}} e condenava Dilma Rousseff, afirmando que “crime, pois, é o que não falta”.

{{não acredite em mim – Estadão}}

 

Agora leia a opinião de hoje, quando os vazamentos referem-se à Michel Temer:

{{não acredite em mim – Estadão}}

 

Não ficou claro ainda? Deixemos, pois, mais óbvio:

 

Afinal, o populismo é de quem? A plutocracia, a elite financeira conta com sua falta de memória. Pretende-se símbolo de uma nação cujos deuses são o rentismo e o lucro. E reclama, ao serem alvos de protestos, como os que se viu recentemente na FIESP.

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É curioso o bastante para falar sobre qualquer assunto e inteligente o bastante para saber que quase sempre estará errado.