Por Alencar Santana – Deputado Estadual do PT de São Paulo

A imprensa tem dado, nos últimos dias, destaque às ações de propaganda do Prefeito de São Paulo, João Dória.

Vestido de gari, ou de operador de máquinas, ele tem tentado tirar da testa o carimbo de “playboy” ou de milionário e busca parecer cada vez mais próximo da população trabalhadora.

No entanto, tais ações escondem a verdadeira face do pensamento de Dória e das forças políticas por de trás de sua chegada ao Governo.

O Prefeito de São Paulo, a maior cidade da América Latina, é do mesmo partido que teve seu programa para a Presidência da República derrotado por quatro vezes consecutivas e, sem perspectivas de vencer no voto, juntamente com as elites financeiras e com os braços ideológicos antinacionais, construiu um golpe parlamentar que, concretizado, iniciou um movimento de desmantelamento dos avanços sociais obtidos pelo povo brasileiro nas últimas quase duas décadas.

O PSDB, partido de Dória, está à frente da entrega da Petrobrás, da manutenção do rentismo financeiro dos bancos, da queda do ganho real no salário mínimo e da retirada de recursos de áreas fundamentais como saúde, educação e assistência social, com a aprovação da PEC do fim do mundo.

A turma de Dória está à frente, principalmente, da chamada Reforma da Previdência, que irá condenar o povo mais pobre a morrer sem direito à aposentadoria digna.

Quando o Prefeito coloca sua roupa de gari – finamente ajustada por seu alfaiate particular e contrastando com seu tênis Osklen – ele ignora a dificuldade de se trabalhar na limpeza da cidade, do quanto esses trabalhadores e trabalhadoras dão duro diariamente, andando, empurrando peso, fazendo movimentos repetitivos e pegando o lixo da cidade.

Ignora, também, o trajeto de ônibus, trens, bicicleta ou a pé de todos os dias, para receberem salários baixos e não contarem com serviços básicos. Os ônibus que ele disse que não aumentariam, mas que deu um aumento enrustido.

Não leva em conta o preconceito e a falta de valorização por parte da sociedade, em especial das elites, da qual Dória é um dos exemplares mais folclórico.

Deixa de lado o quanto a perspectiva de saúde e vigor ao trabalho dessas pessoas é menor do que a de quem trabalho em escritórios e outros ambientes menos insalubres.

A realidade dos garis é parecida com de muitos trabalhadores: operários da construção civil, pessoas do campo, metalúrgicos, professores, agentes de saúde, carteiros, motoristas, assistentes de serviços gerais, etc. Pessoas que tem na aposentadoria a mínima segurança de garantir a subsistência futura, sendo que muitos ainda continuarão trabalhando para obter o básico à família, apesar do corpo marcada pelo cansaço e desgate do duro trabalho durante a vida toda.

Com o mesmo discurso enganador de João Dória, em nome da “eficiência privada”, o governo federal quer mexer na previdência social e retirar direitos consagrados.

Quer o governo apoiado pelo gari Dória que os trabalhadores se aposentem com 65 anos com 49 anos de contribuição social, ou seja, quer que as pessoas sejam escravizadas e não tenham a possibilidade de usufruir de sua aposentadoria de forma digna.

Será que o gari Dória é a favor ou contra a reforma da previdência?

Ou será o gari somente uma construção de marketing do prefeito João Dória?

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É curioso o bastante para falar sobre qualquer assunto e inteligente o bastante para saber que quase sempre estará errado.