Ao término da Copa do Mundo, no último domingo 15 de julho, Galvão, Arnaldo e Casagrande protagonizaram algumas despedidas.  Mais tarde, em seu Conversa AfiadaPaulo Henrique Amorim publicou texto sobre Casagrande e a dependência química dele.

O fato, claro, não foi sem motivo. Casagrande finalizou a Copa afirmando ter cumprido o seu maior objetivo pessoal: ir, vivenciar e voltar da Copa sóbrio. Como se sabe, o atacante reserva da Copa de 86 e protagonista da Democracia Corinthiana ao lado de Sócrates, foi dependente de cocaína, e hoje convive sobriamente com o vício.

casagrande, paulo henrique amorim, dependencia quimica

{{não acredite em mim – Conversa Afiada}}

Paulo Henrique Amorim tem um ranço histórico com a Globo. Trabalhou por lá até 1996, chegou a abrir sucursais para a rede dos Marinho no exterior e depois foi para a Bandeirantes. Atualmente trabalha na Record, chegou a fazer reportagem-propaganda para o Bispo Edir Macedo. Tudo isso, ou apenas isso, coloca em dúvida a credibilidade do termo PIG – Partido da Imprensa Golpista. 

Paulo Henrique Amorim, Casagrande e a dependência química

“Enquanto a imagem da FIFA mostrava o Mbappé, o comentarista Casa Grande informou que naquela Copa não tinha cedido a uma suposta dependência química.

Ele e Galvinho se emocionaram com a inesperada e cortante confissão pública.”

O Conversa Afiada, como se sabe, se caracteriza por textos mais ácidos e contundentes. O que surpreende, no entanto é o conteúdo da crítica, que esconde também uma discussão importante: o que é notícia e o que não é.

Mas Paulo Henrique se perdeu em sua própria linguagem. Ao utilizar o escracho para tratar de um problema pessoal do comentarista de seus ex-patrões, PHA ofende e agride desnecessariamente. A discussão que poderia ser relevante perde-se no moralismo infantil do jornalista da Record.

Lamento muito, Casa Grande, mas sua suposta dependência química não interessa!
A ninguém.
O que interessa é bola na rede!
Se você foi ou é dependente é um problema entre você e seu psiquiatra.
O Brasil não é o seu psiquiatra.
Como não era o seu fornecedor de droga.

Dependência Química Interessa ou não interessa?

O Brasil vive um tabu moralista. O Brasil pós-eleições de 2014 se tornou ainda mais moralista e atrasado em discussões políticas. É talvez o país ocidental mais atrasado nesse tipo de discussões. Um país onde uma mostra cultural é alvo de protesto por conter seres humanos nus.

Um país onde cracolândias se espalham por diversos estados e onde a discussão sobre a descriminalização das drogas é simplesmente ignorada ou tratada sob a premissa da bíblia. Um país onde o futebol é, supostamente, o principal esporte.

Nesse contexto é impossível afirmar que um comentarista da principal emissora de televisão nacional admitindo sua dependência e comemorando sua superação não é notícia.

Paulo Henrique Amorim poderia ter guardado o moralismo infantil no bolso e aproveitado a oportunidade para discutir as distorções que o jornalismo de sua própria emissora causam nesse tema, por exemplo. Ou, se a ideia é xingar a Globo e somente isso, ter feito o mesmo com a emissora concorrente. O que não dá é para um jornalismo, teoricamente progressista, sugerir que a dependência de Casagrande não é real {{“Lamento muito, Casa Grande, mas sua suposta dependência química não interessa!“}} ou fingir que isso não é relevante.

Que bom que Casagrande, mesmo na Globo, consegue fomentar discussões como esta. Que falta faz o jornalismo para os jornalistas que se dizem de esquerda.

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