Muita gente se surpreendeu com uma pergunta acerca da caça de Javalis em São Paulo ontem, no debate para governadores paulista. ImprenÇa foi atrás da explicação: o problema realmente existe.

O atual governador do Estado de São Paulo, Márcio França {{PSB}} aprovou uma lei proposta pelo deputado do PV, ROberto Tripoli, proibindo qualquer tipo de caça de animais no Estado de São Paulo, com exceção de algumas pragas urbanas como pombos e ratos. 

Para entender a polêmica é preciso entender o problema, que começa com o tipo de animal que é o javali.

Javalis em São Paulo: problema rural
{{Foto: Luiz Guilherme de Sá/Ibama.}}

Os javalis são originários da Europa, Ásia, Ilhas Sonda {{sim, é um lugar}} e no Norte da África. Como se sabe, são bichinhos e servos do deus vivo® {{expressão utilizada com a devida permissão de Cabo Daciolo}} e, portanto, fazem parte da natureza. Como tal, em seu local de origem possuem outros bichinhos que os caçam, a gente chama isso de bioma:

Bioma

grande comunidade estável e desenvolvida, adaptada às condições ecológicas de uma certa região, e ger. caracterizada por um tipo principal de vegetação, como, p.ex., a floresta temperada; biocoro.

O javali foi introduzido na América do Sul através de criações, principalmente na Argentina e Uruguai. Depois chegou ao Brasil. O problema é que o predador natural não se encontra em São Paulo. São predadores dos javalis: lobo, lince e a águia real. 

Deixa os javalis em São Paulo ficarem em paz!

O problema dos javalis e dos javaporcos {{sim, é um cruzamento entre javalis e porcos; o javali e o porco doméstico são a mesma espécie, Sus scrofa}} têm hábitos noturnos e, quando estão acuados ou com as crias podem ser muito agressivos e perigosos.

Além disso transmitem doenças como febre afitosa para o gado. Além disso eles acabam com as lavrouras de milho, soja e cana, por exemplo. Em vários países europeus {{Bélgica, Alemanha, Itália, França e Espanha}}, caçar javalis é um esporte, pois os bichos são considerados praga.

O javali destrói a vegetação ao revirar o chão, consome sementes e frutos que servem de base para alimentação de outros animais. É predador de ninhos de aves que nidificam no chão e ataca animais domésticos e pessoas.

Os javalis causam grande impacto sobre a biodiversidade, e os adultos não encontram predadores capazes de atacá-los quando andam em grupo. 

Eita! Então por que se proibiu a caça dos javalis em São Paulo?

Em 2010 o IBAMA proibiu o controle de qualquer espécie exótica através da IN 08/2010, uma norma que dizia o seguinte:

Revoga a Instrução Normativa IBAMA nº 71 de 2005, que autoriza o controle populacional do javali – Sus scrofa, por meio da captura e do abate, em todo o estado do Rio Grande do Sul e institui grupo de trabalho coordenado pela Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama.

{{não acredite em mim – IBAMA}}

O que acabou por ser um desastre. Foi então que em 2013 o próprio IBAMA resolveu revogar a revogação e regulamentar o abate da espécie:

O PRESIDENTE DO INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS, no uso das atribuições que lhe confere o item V, Art. 22 do Anexo I do Decreto nº 6.099, de 26 de abril de 2007, que aprova a Estrutura Regimental do IBAMA, publicado no
Diário Oficial da União, de 27 de abril de 2007, e:

Considerando que os javalis-europeus (Sus scrofa), em todas as suas formas, linhagens, raças e diferentes graus de cruzamento com o porco doméstico, são animais exóticos invasores e nocivos às espécies silvestres nativas, aos seres humanos, ao meio ambiente, à agricultura, à pecuária e à saúde pública;
Considerando os registros de ataques de javalis aos seres humanos no Brasil;
Considerando os registros de ataques de javalis aos animais silvestres nativos e animais domésticos;
Considerando, ainda, a variedade de doenças transmissíveis pelos javalis aos seres humanos, animais domésticos e silvestres nativos;

(…)

Art. 2º Autorizar o controle populacional do javali vivendo em liberdade em todo o território nacional.

{{não acredite em mim – Diário Oficial}}

Existem diversas discussões mais sérias a respeito do que fazer com o problema dos Javalis. Muitas ONGs concluem que a solução é o controle por parte do Estado, outras consideram que a regulamentação do abate era uma solução. 

O fato é que Roberto Tripoli, do PV e Márcio França do PSB, não participaram de nenhuma delas. Até o G1 sabe disso {{não acredite em mim}}

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