Nos últimos dias a blogosfera, a internet e até mesmo a velha mídia tem convergido a discussão em torno de Bolsonaro. Aqui mesmo uma série de postagens sobre este assunto foram feitas, com uma série de argumentações em torno da questão racial e das minorias em geral {{menos índios, argh}}.

{{Crédito da foto: deatonstreet}}

Como se sabe, no Brasil não existe racismo. Ou melhor, existe um racismo que não existe. Complicado? Seria, talvez, mais simples explicar a seguinte estatística:

90% da população brasileira considera que existe o racismo. 90% da população brasileira considera que não é racista. {{não acredite em mim}}

A estatística acima foi retirada de um artigo publicado aqui pela autora convidada, Renata Winning, onde discute-se, entre outras coisas, a questão das cotas raciais. Mas este é um assunto muito polêmico {{eu sei que você pensou ‘mamilos’ agora}} deixemos as cotas de lado, por enquanto.

Falemos então do que está óbvio, Bolsonaro. Ou melhor, deixemos ele de lado também para falar de nós, vocês e eu, todos que acompanhamos e vimos o tal deputado falar o que falou.

É consenso, no politicamente correto, que não se pode xingar os negros, ou associar defeitos {{no caso promiscuidade}} com a cor de pele de ninguém. Pega mal e é feio. Ótimo um passo adiante, vencemos um pouco do preconceito. Será? Vejamos algumas estatísticas publicadas aqui mesmo, em um artigo intitulado ” Dia da consciência negra, feriado?! ” :

A diferença entre os estudos de um homem branco para um homem negro mostrou zero de variação de 1992 até 2008.

Podemos então pegar uma outra questão, conforme analisou o IPEA 2008 {{não acredite em mimPDF}}, grifos do próprio IPEA:

Além disso, o universo das trabalhadoras domésticas no país é majoritariamente formado por mulheres negras – 20,1% das negras ocupadas estão nessa categoria. Assim, o trabalho doméstico remunerado no Brasil se constituiu histórica e persistentemente como umaatividade feminina e negra. Revela‐se, portanto, um dos nichos contemporâneos de exposição implacável do legado histórico patriarcalista e escravocrata, perpetuadores das desigualdades de gênero e de raça no país

Ou seja, pega mal associar negro com algum defeito, mas mudar o que importa, não mudamos em nada, ou quase nada.

Bolsonaro falava com mulher negra, quando deu a tal resposta então vejamos a situação das tais mulheres, vejamos se há o que reclamar…

{{não acredite em mimONU, PDF}}
O gráfico acima refere-se à educação no mundo, como você pode conferir lá, no site da ONU {{não acredite em mim}}.
O ataque de Bolsonaro dirigiu-se, portanto a duas minorias mundialmente conhecidas. Mas o politicamente correto acha isso um absurdo, então ele corrigiu, a nota no site de Bolsonaro dizia claramente:

A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta (…) de meu filho com um gay.

Ao responder porque sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário (…) sem me referir a cor

O próprio Marcelo Tas, ao comentar a entrevista manifestou-se no sentido de que eu não deveria ter entendido a pergunta, o que realmente aconteceu.

Percebe-se claramente que, para Bolsonaro {{e boa parte dos que comentaram nos últimos dias aqui no blog}} , atribuir defeitos à mulher ou a negros está errado, mas atribuir defeitos a gays não está.  Também podemos perceber a falta de tato / inteligência / perspicácia  do deputado ao dizer que afirmou ser contra as cotas raciais sem se referir a cor. Como? Não sei.
Vejamos então alguns dados sobre os gays. O Grupo Gay da Bahia {{GGB}} mostra que nos últimos cinco anos o número de assassinatos de homossexuais no Brasil aumentou incríveis 113%:

Foram documentados 260 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil no ano passado, 62 a mais  que em 2009 (198 mortes), um aumento 113% nos últimos cinco anos (122 em 2007). Dentre os mortos, 140 gays (54%), 110 travestis (42%) e 10 lésbicas (4%). O Brasil confirma sua posição de  campeão  mundial de assassinatos de homossexuais

Está claro que a PL 122 – bem como a lei anti-racismo e a Maria da Penha – procura reestabelecer uma desigualdade já estabelecida. Não se trata, portanto, de tratar os gays como diferentes, mas assumir a realidade de que eles estão sendo tratados de forma pejorativa pela sociedade.
A política pública, em boa parte do mundo mas essencialmente no Brasil, tem sido elaborada e executada por um grupo bem definido da sociedade: homens, heterossexuais, brancos e de classe A ou B. Não há como negar os fatos, os poucos dados estatísticos expostos aqui já demonstram isso.
 
Quando Dilma exigiu que os partidos indicassem mulheres para os cargos públicos construiu-se um debate em torno da questão: deve-se escolher quem é competente. Uma discussão como esta só permite duas interpretações:
  • Não há, em mesmo número, homens e mulheres competentes
  • A mulher não é competente
Imaginem vocês se fosse o caso de dizer que a Dilma quer ministros gays. É lógico supor que há, num país como o Brasil, mulheres que podem exercer o mesmo cargo que homens. Também é lógico supor, observando os números colocados, que há um número superior de homens preparados para assumirem políticas públicas.
O que não é lógico supor é que a escolha de uma mulher para um cargo público acarreta necessariamente em um desnível de competência. Isso é fruto unicamente de um machismo disfarçado.
Da mesma forma me parece completamente irreal que um negro que assuma uma cadeira na área da graduação continuará sendo aprovado, matéria após matéria, porque entrou pelo sistema de cotas.
O que quero dizer é que, comprovando-se a tese {{em minha opinião}} preconceituosa, de que os cotistas terão sempre uma defasagem para os demais alunos {{brancos?!}}, os cotistas simplesmente não passarão do 1º semestre da faculdade. Ficariam ali eternamente.

A ideia de que um cotista seria jubilado após anos e anos de 1º semestre em uma universidade te parece lógica?

O preconceito tem mesmo várias caras, vários disfarces. As diferenças não devem ser negadas sob a pena de serem eternizadas.
Quando se fala da PL122 há quem argumente que já há punição para assassinatos, fato, de fato, inegável {{gostou do português?}}. O que também é inegável é que os assassinatos tem diferenças e a lei os trata de forma diferente.
Um pai que mata o filho, jogando-o pela janela, tem uma punição. Já um pai que esquece o filho dentro do carro, num dia de Sol e acaba por matar a criança pode até não ser punido judicialmente.
Falo de um pai, que matou o filho. Casos iguais? Não. Tratamento legalmente idêntico? Não.
Está claro que o assassinato de um gay, pelo simples fato de estar de mãos dadas com o parceiro, não é o mesmo caso de um assassinato por briga em bar. Porque tratá-los de forma igual?
 
Não há um sequer grupo de assassinos gays matando heterossexuais pelas ruas deste país. Há diversos grupos homofóbicos espancando, estuprando {{durma com um barulho destes}}, matando e o mais grave empurrando os homossexuais para guetos cada vez menores.
Não há um homossexual que saia nas ruas de São Paulo hoje de mãos dadas com seu parceiro que não saiba que isso é um ato perigoso {{infelizmente}}. Você conhece algum heterossexual que tem medo de dar as mãos à própria namorada na rua?
Então porque raios havemos de tratar as diferenças como iguais? Há sim, um excelente motivo para isso, chama-se: preconceito.
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