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Já passamos pelo susto e pelo choque da tragédia de Realengo. Já vimos e revimos as imagens, já choramos e lamentamos as mortes, já discutimos os problemas. Como disse no artigo “O inominável Wellington“, passado o trauma, é hora de rever os erros, e não foram poucos.

Crédito da foto {{não acredite em mim}}

Quem esteve no Twitter durante os momentos iniciais da tragédia pôde acompanhar as impressões do blog a respeito do modo como a cobertura ‘jornalística’ foi feita. Eram inúmeros erros e leviandades, trazidos à tona, talvez, por um preconceito escondido no fundo de cada repórter. 
Preconceito que levou a coisas como:
Boechat da BandNews mostrando todo o seu conhecimento sobre o Islã
Psiquiatra forense, mostrando toda sua capacidade de interpretação dos fatos…

Há quem diga que as insinuações sobre a religiosidade {{fundamentalista islâmico, chegaram a anunciar logo no início da tragédia}} teria início em um documento recém divulgado pela Wikileaks:
Particularmente eu não acredito que seja isso, embora não tenha dúvidas de que não haveria problemas para a imprenÇa em cumprir o pedido à risca, caso o pedido envolvesse a compra de alguns exemplares dos jornais em questão…
Fato é que por mais que fossem heróis {{alguém sem preparo entrar numa escola para parar, em tese, dois terroristas, é um herói sim}}os policiais jamais poderiam ter dado as entrevistas naquele momento. Não se sabia ainda o que é que estava acontecendo, não se sabia se era um evento único, se era um ataque terrorista, de fato, sequer sabia-se a quantidade de crianças mortas.
E foi o próprio PM quem, segundo as minhas impressões, deu o tom das acusações a Wellington naquele momento. Disse ele:
Como é do feitio da imprenÇa, o sensacionalismo foi além. Foi até a família do atirador. Para perguntar coisas fundamentais como a infância de Wellington? Não, para falar de algo muito mais importante…

Boechat: Ele deu algum indício de que estava maluco? Falou de religião, muçulmano?Irmã de Wellington: Minha mãe era testemunha de Jeová, ele não quis seguir, estava meio estranho mesmo… a última vez que o vi estava com uma barba muito grande…

{{não acredite em mim}}



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Depois a carta foi divulgada{{não acredite em mim}}, só se falava em Jesus, nem uma menção a Alá, Meca ou qualquer tipo de fundamentalismo islâmico. Foi quando cessaram as acusações aos muçulmanos…
Natalie tocou no ponto exato. Uma vez cristão, o assassino frio e calculista deixa de ser religioso fanático e passa a figurar como maluco. Não, nenhuma menção a alguma doença específica, ele passa a ser maluco mesmo. 
Não é preciso comentar a falta de tato de se entrevistar a irmã de alguém que comete um crime destes, e dizer todo o nome dos pais, já mortos, e da irmã em rede nacional. Nós vivemos em um país onde os atores são agredidos na rua porque fazem papel de vilão nas novelas. Imaginem os senhores a reação da população com a irmã de Wellington. Ou melhor, não imagine, eu mostro:
A culpa das pichações, se alguém ainda tem dúvidas, é da imprenÇa que divulgou de forma irresponsável o nome do atirador e o nome de sua família.
O criminoso, o assassino de todas aquelas crianças, estava obviamente fora da realidade. Eu não sou psicólogo nem psiquiatra, portanto não serei ingênuo de associar o atirador a alguma doença mental. Mas está mais do que claro que ele não estava vendo o mundo da maneira como deveria ver.
Agora uma pergunta:

Algum repórter estava fora da realidade ou tem alguma desculpa para a divulgação irresponsável do nome dos familiares de Wellington?

Não, não estavam. Era apenas um dia comum, numa rotina comum, até que um fato incomum ocorreu. Jornalistas, em tese, estão para noticiar fatos incomuns. 
Considero gravíssimo o que ocorreu em realengo. Mas é ainda mais grave que os jornalistas se preocupem mais com a audiência do que com uma possível retaliação, injusta , à família do assassino.
Segundo Rodrigo Pimentel a chacina não poderia ter sido evitada. É uma infeliz ação de uma mente fora do lugar, ‘surtada’ {{na opinião nada capaz do leigo que agora escreve}}. As pichações na casa da irmã de Wellington, as possíveis agressões que sofreriam todos os familiares caso fossem buscar o corpo do menino-perdido {{que me desculpe o Peter Pan}} estas poderiam ser evitadas com atos bastante simples.

Bastaria que os jornalistas tivessem um pouco de decência e um mínimo de preparo ao tratar de assuntos tão melindrosos, afinal, o diploma serve para quê mesmo?!


Atualização


A sempre atenta @DeniseSQ informou via twitter o discurso de Protógenes na Câmara:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=_tPSGpSvilM?version=3]
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